Paralisia Facial Periférica: Diagnóstico e Manejo Clínico

SMS Florianópolis - Secretaria Municipal de Saúde de Florianópolis (SC) — Prova 2023

Enunciado

Adriano, 33 anos, vem para consulta com queixa de paralisia facial iniciada há duas horas. Quadro iniciou com desvio da comissura labial para a esquerda e dificuldade para piscar o olho direito. Há meia hora começou com dor e hipersensibilidade muito intensa aos ruídos no ouvido direito, o que lhe assustou bastante e motivou a buscar atendimento. Nega visão embaçada ou dupla. Está muito preocupado pois tem hipertensão, obesidade grau III e histórico familiar de pai que teve acidente vascular encefálico (AVE) aos 45 anos. Ao exame físico, o paciente está orientado, lúcido, sem alterações de consciência, PA 150/95 mmHg, FC 91 bpm, saturando 98%, apresentando fraqueza acentuada em hemiface direita, incluindo região frontal, com incapacidade de elevação da sobrancelha. Adução e abdução de olho direito preservadas. Otoscopia mostrando conduto auditivo sem hiperemia e membrana timpânica sem alterações. Assinale a alternativa correta com relação ao diagnóstico e à conduta:

Alternativas

  1. A) Tranquilizar Adriano com relação ao bom prognóstico com provável recuperação total em uma semana, solicitar hemograma e prescrever antiviral para alívio dos sintomas.
  2. B) Encaminhar Adriano para hospital terciário devido acometimento de hemiface completa, sem preservar terço superior, pelo fato de configurar suspeita de paralisia central.
  3. C) Tranquilizar com relação ao bom prognóstico com provável recuperação total em três meses, prescrever corticosteroide e colírio lubrificante, além de orientar oclusão ocular à noite.
  4. D) Encaminhar Adriano ao otorrinolaringologista devido hiperacusia, pois, mesmo não havendo perda auditiva ou otorreia, esse sintoma de alarme deve ser investigado.

Pérola Clínica

Paralisia facial periférica (completa) + hiperacusia + dor retroauricular → Paralisia de Bell ou Ramsay Hunt. Prognóstico bom, tratar com corticoide e proteção ocular.

Resumo-Chave

A paralisia facial periférica, como a Paralisia de Bell, afeta toda a hemiface (incluindo a fronte) e pode cursar com hiperacusia e dor. O tratamento precoce com corticosteroides melhora o prognóstico, e a proteção ocular é essencial.

Contexto Educacional

A paralisia facial é uma condição neurológica que pode gerar grande angústia no paciente devido ao impacto estético e funcional. É crucial diferenciar a paralisia facial periférica da central, pois suas etiologias, prognósticos e manejos são distintos. A Paralisia de Bell é a causa mais comum de paralisia facial periférica idiopática. A fisiopatologia da paralisia facial periférica envolve a lesão do nervo facial (VII par craniano) em qualquer ponto de seu trajeto, desde o tronco cerebral até a musculatura da face. Na Paralisia de Bell, acredita-se que haja uma inflamação viral (frequentemente por Herpes Simplex) do nervo dentro do canal ósseo. A apresentação clássica inclui fraqueza súbita de toda a hemiface, podendo ser acompanhada de dor retroauricular, hiperacusia e alteração do paladar. O tratamento da Paralisia de Bell deve ser iniciado o mais rápido possível, idealmente nas primeiras 72 horas. Consiste principalmente em corticosteroides (como prednisona) para reduzir a inflamação e edema do nervo, melhorando o prognóstico de recuperação. Antivirais podem ser considerados em casos graves ou na Síndrome de Ramsay Hunt (causada por Herpes Zoster). A proteção ocular é fundamental para prevenir lesões da córnea devido à incapacidade de piscar e fechar o olho. O prognóstico é geralmente favorável, com recuperação completa em 70-85% dos casos em algumas semanas a meses.

Perguntas Frequentes

Como diferenciar clinicamente uma paralisia facial periférica de uma central?

Na paralisia facial periférica, há acometimento de toda a hemiface, incluindo a região frontal (o paciente não consegue enrugar a testa ou elevar a sobrancelha). Na paralisia facial central, a região frontal é poupada devido à inervação bilateral do córtex.

Qual a importância da hiperacusia e da dor retroauricular na paralisia facial?

A hiperacusia (hipersensibilidade a ruídos) e a dor retroauricular são sintomas comuns na paralisia facial periférica, especialmente na Paralisia de Bell e na Síndrome de Ramsay Hunt, indicando acometimento do nervo facial e de seus ramos.

Qual a conduta inicial e o prognóstico da Paralisia de Bell?

A conduta inicial inclui corticosteroides (prednisona) iniciados precocemente (nas primeiras 72h) para reduzir a inflamação do nervo, e proteção ocular (colírio lubrificante, oclusão noturna) para prevenir ceratite por lagoftalmo. O prognóstico é geralmente bom, com recuperação total em semanas a poucos meses na maioria dos casos.

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