Diferenciando Paralisia Facial Periférica de AVC

CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2013

Enunciado

A paciente foi encaminhada ao pronto-socorro, com suspeita de ter tido acidente vascular encefálico, queixando-se de formigamento no rosto, desvio da rima labial e embaçamento visual. Refere ser hipertensa há 20 anos, sem outros antecedentes sistêmicos. É correto afirmar que:

Alternativas

  1. A) Provavelmente o teste de Schirmer realizado no olho esquerdo evidenciará a ausência de produção lacrimal
  2. B) Houve lesão periférica do V nervo craniano, à esquerda, na altura do nervo corda do tímpano
  3. C) O teste de Schirmer indica que a lesão é, provavelmente, supranuclear e está localizada acima do gânglio geniculado
  4. D) O quadro clínico não é sugestivo de acidente vascular encefálico

Pérola Clínica

Paralisia facial periférica (Bell) envolve toda a hemiface; AVC poupa a fronte.

Resumo-Chave

Sintomas isolados de paralisia facial que incluem a musculatura da testa sugerem lesão infranuclear (periférica), diferenciando-se do AVC, que é supranuclear.

Contexto Educacional

A paralisia facial periférica, frequentemente chamada de Paralisia de Bell quando idiopática, é uma das causas mais comuns de procura ao pronto-socorro por medo de AVC. A fisiopatologia envolve a inflamação e edema do VII par craniano dentro do canal facial. O diagnóstico é eminentemente clínico. O topodiagnóstico utiliza ramos do nervo facial: o nervo petroso maior (lágrima/Schirmer), o nervo estapédio (reflexo acústico) e o nervo corda do tímpano (paladar nos 2/3 anteriores da língua). O tratamento precoce com corticoides sistêmicos aumenta significativamente as chances de recuperação total da função motora.

Perguntas Frequentes

Como diferenciar paralisia facial central de periférica?

A diferenciação é baseada na anatomia: o núcleo do nervo facial que controla a parte superior do rosto recebe inervação bilateral do córtex motor. Assim, em uma lesão central (AVC), a testa é poupada (o paciente consegue franzir a testa). Na lesão periférica (nervo facial ou seu núcleo), toda a hemiface é afetada, incluindo a incapacidade de fechar o olho (sinal de Bell) e de franzir a testa do lado ipsilateral à lesão.

O que o teste de Schirmer avalia na paralisia facial?

O teste de Schirmer avalia a função do nervo petroso superficial maior, um ramo do nervo facial que se origina no gânglio geniculado e controla a secreção lacrimal. Se houver redução da lacrimação no lado afetado, a lesão é proximal ao gânglio geniculado. Se a lacrimação estiver normal, a lesão é distal a este ponto, ajudando no topodiagnóstico da paralisia.

Por que o quadro descrito não sugere AVC?

Embora o paciente apresente desvio de rima e formigamento, a presença de sintomas puramente faciais sem déficits motores de membros, associada à possível descrição de embaçamento visual (que pode ser por exposição corneana se o olho não fecha), aponta para uma neuropatia periférica. O AVC tipicamente apresenta outros sinais neurológicos focais e poupa a musculatura superior da face.

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