CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2013
A paciente foi encaminhada ao pronto-socorro, com suspeita de ter tido acidente vascular encefálico, queixando-se de formigamento no rosto, desvio da rima labial e embaçamento visual. Refere ser hipertensa há 20 anos, sem outros antecedentes sistêmicos. É correto afirmar que:
Paralisia facial periférica (Bell) envolve toda a hemiface; AVC poupa a fronte.
Sintomas isolados de paralisia facial que incluem a musculatura da testa sugerem lesão infranuclear (periférica), diferenciando-se do AVC, que é supranuclear.
A paralisia facial periférica, frequentemente chamada de Paralisia de Bell quando idiopática, é uma das causas mais comuns de procura ao pronto-socorro por medo de AVC. A fisiopatologia envolve a inflamação e edema do VII par craniano dentro do canal facial. O diagnóstico é eminentemente clínico. O topodiagnóstico utiliza ramos do nervo facial: o nervo petroso maior (lágrima/Schirmer), o nervo estapédio (reflexo acústico) e o nervo corda do tímpano (paladar nos 2/3 anteriores da língua). O tratamento precoce com corticoides sistêmicos aumenta significativamente as chances de recuperação total da função motora.
A diferenciação é baseada na anatomia: o núcleo do nervo facial que controla a parte superior do rosto recebe inervação bilateral do córtex motor. Assim, em uma lesão central (AVC), a testa é poupada (o paciente consegue franzir a testa). Na lesão periférica (nervo facial ou seu núcleo), toda a hemiface é afetada, incluindo a incapacidade de fechar o olho (sinal de Bell) e de franzir a testa do lado ipsilateral à lesão.
O teste de Schirmer avalia a função do nervo petroso superficial maior, um ramo do nervo facial que se origina no gânglio geniculado e controla a secreção lacrimal. Se houver redução da lacrimação no lado afetado, a lesão é proximal ao gânglio geniculado. Se a lacrimação estiver normal, a lesão é distal a este ponto, ajudando no topodiagnóstico da paralisia.
Embora o paciente apresente desvio de rima e formigamento, a presença de sintomas puramente faciais sem déficits motores de membros, associada à possível descrição de embaçamento visual (que pode ser por exposição corneana se o olho não fecha), aponta para uma neuropatia periférica. O AVC tipicamente apresenta outros sinais neurológicos focais e poupa a musculatura superior da face.
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