UnB/HUB - Hospital Universitário de Brasília (DF) — Prova 2015
Um paciente de sessenta e cinco anos de idade foi internado em uma unidade de emergência em virtude da apresentação súbita de desvio da comissura labial para a esquerda, paresia do membro superior direito e afasia. Após duas horas de internação do paciente, uma equipe da neurologia identificou o desaparecimento dos sintomas, entretanto foram encontradas manchas hipocrômicas localizadas difusamente no tronco e nas extremidades, que apresentavam baixa sensibilidade térmica.Com referência ao caso clínico acima apresentado, julgue o seguinte item.O desvio da comissura labial para a esquerda associado à paresia do membro superior direito é um indicador do diagnóstico de paralisia facial central.
Paralisia facial central → Afeta principalmente o terço inferior da face contralateral, poupando a fronte.
A paralisia facial central é caracterizada pelo comprometimento predominante do terço inferior da face contralateral à lesão, com preservação da capacidade de enrugar a testa. Isso ocorre porque o córtex motor recebe inervação bilateral para a porção superior da face, enquanto a porção inferior recebe inervação apenas contralateral. A associação com paresia de membro superior contralateral reforça a lesão central (AVC).
A avaliação da paralisia facial é um componente fundamental do exame neurológico e exige a diferenciação entre lesões centrais e periféricas, pois suas etiologias e prognósticos são distintos. A paralisia facial central, também conhecida como supranuclear, resulta de uma lesão nas vias corticonucleares que se estendem do córtex motor ao núcleo do nervo facial no tronco cerebral. A inervação da musculatura facial é complexa: a porção superior da face (testa e orbicular dos olhos) recebe inervação bilateral do córtex, enquanto a porção inferior da face (músculos da boca) recebe inervação predominantemente contralateral. Assim, em uma lesão central, a porção superior da face é poupada ou minimamente afetada, enquanto a porção inferior da face contralateral à lesão apresenta paresia ou paralisia, manifestada por desvio da comissura labial e dificuldade em sorrir. Em contraste, a paralisia facial periférica (infranuclear), como a Paralisia de Bell, afeta o nervo facial após sua saída do tronco cerebral, comprometendo toda a hemiface ipsilateral à lesão, incluindo a incapacidade de enrugar a testa e fechar o olho. A associação da paralisia facial central com outros déficits neurológicos contralaterais, como hemiparesia, é comum e sugere uma lesão cerebral, como um acidente vascular cerebral (AVC) ou um acidente isquêmico transitório (AIT), como no caso descrito. As manchas hipocrômicas com baixa sensibilidade térmica são um achado adicional que pode levantar suspeitas de outras condições, mas o foco da questão é a paralisia facial.
Na paralisia facial central, há comprometimento predominante do terço inferior da face contralateral à lesão, com a capacidade de enrugar a testa preservada. Na paralisia periférica (ex: Paralisia de Bell), toda a hemiface é afetada, incluindo a incapacidade de enrugar a testa.
A lesão na paralisia facial central está localizada acima do núcleo do nervo facial no tronco cerebral, geralmente no córtex motor ou nas vias corticonucleares. É uma lesão supranuclear.
Sim, é comum. Como a paralisia facial central geralmente resulta de uma lesão cortical ou subcortical (como um AVC), é frequente que outras vias motoras que controlam os membros também sejam afetadas, causando paresia contralateral.
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