Paralisia Facial Central: Diagnóstico e Diferenciação Clínica

SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2015

Enunciado

Um paciente de sessenta e cinco anos de idade foi internado em uma unidade de emergência em virtude da apresentação súbita de desvio da comissura labial para a esquerda, paresia do membro superior direito e afasia. Após duas horas de internação do paciente, uma equipe da neurologia identificou o desaparecimento dos sintomas, entretanto foram encontradas manchas hipocrômicas localizadas difusamente no tronco e nas extremidades, que apresentavam baixa sensibilidade térmica. Com referência ao caso clínico acima apresentado, julgue o seguinte item. O desvio da comissura labial para a esquerda associado à paresia do membro superior direito é um indicador do diagnóstico de paralisia facial central. 

Alternativas

  1. A) Certo.
  2. B) Errado.

Pérola Clínica

Paralisia facial central → desvio comissura labial contralateral à lesão, poupa fronte; paresia MS contralateral.

Resumo-Chave

A paralisia facial central afeta apenas a porção inferior da face contralateral à lesão, poupando a fronte devido à dupla inervação cortical. A paresia do membro superior também é contralateral à lesão no SNC.

Contexto Educacional

A paralisia facial é um achado neurológico comum, e sua correta localização (central ou periférica) é crucial para o diagnóstico etiológico e manejo. A paralisia facial central resulta de lesões no trato corticonuclear acima do núcleo do nervo facial, afetando a musculatura facial inferior contralateral, mas poupando a fronte devido à inervação bilateral. Este conhecimento é fundamental para a semiologia neurológica em provas e na prática clínica. O caso clínico apresenta um quadro de Acidente Isquêmico Transitório (AIT), caracterizado por sintomas neurológicos focais súbitos que se resolvem completamente em menos de 24 horas (geralmente em minutos). A presença de manchas hipocrômicas com baixa sensibilidade térmica, embora não diretamente relacionada ao AIT, sugere uma condição crônica como hanseníase, que pode coexistir e deve ser investigada. O prognóstico do AIT é variável, mas a identificação precoce é vital para iniciar medidas preventivas secundárias de AVC. O tratamento envolve a investigação da causa subjacente (ex: aterosclerose, fibrilação atrial) e a implementação de terapias como antiagregantes plaquetários, estatinas e controle de fatores de risco. A atenção aos detalhes semiológicos e à história clínica completa é essencial para o diagnóstico diferencial e a conduta adequada.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de paralisia facial central?

A paralisia facial central se manifesta com desvio da comissura labial para o lado oposto à lesão cerebral, com preservação da movimentação da fronte e do fechamento ocular, devido à dupla inervação cortical da porção superior da face.

Como diferenciar paralisia facial central de periférica?

A paralisia facial periférica (ex: Paralisia de Bell) afeta toda a hemiface, incluindo a fronte e o fechamento ocular, ipsilateral à lesão. A paralisia facial central poupa a fronte e é contralateral à lesão no SNC.

Qual a importância de identificar sintomas neurológicos transitórios?

Sintomas neurológicos transitórios, como os descritos, podem indicar um Acidente Isquêmico Transitório (AIT), um sinal de alerta para um AVC isquêmico iminente, exigindo investigação e manejo urgentes para prevenção secundária.

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