UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2020
Recém-nascido a termo, pesando 4.500g (grande para a idade gestacional), sofreu distocia durante parto vaginal, por difícil extração. Exame físico: rotação interna e adução do braço direito, perda do poder de abdução e pronação do antebraço ipsilateral. De acordo com este quadro, a hipótese diagnóstica mais provável é:
Paralisia de Erb-Duchenne (C5-C6) → "Gorjeta de garçom": braço aduzido, rodado internamente, antebraço pronado.
A paralisia de Erb-Duchenne é a forma mais comum de paralisia braquial obstétrica, resultante da lesão das raízes nervosas C5-C6 (e ocasionalmente C7) do plexo braquial. É classicamente associada à distocia de ombro em recém-nascidos grandes para a idade gestacional (GIG) e se manifesta com a postura de "gorjeta de garçom", caracterizada por adução e rotação interna do braço, com pronação do antebraço.
A paralisia braquial obstétrica é uma lesão dos nervos do plexo braquial que ocorre durante o parto, sendo a paralisia de Erb-Duchenne a forma mais comum. Ela resulta de um estiramento excessivo das raízes nervosas superiores (C5-C6, e por vezes C7) do plexo braquial, geralmente associado a traumas durante a extração do feto, como na distocia de ombro. Recém-nascidos grandes para a idade gestacional (GIG) são particularmente suscetíveis. Clinicamente, a paralisia de Erb-Duchenne é caracterizada pela clássica postura de "gorjeta de garçom": o braço afetado está aduzido, rodado internamente, com o antebraço pronado e o punho fletido. Há perda da abdução do ombro, rotação externa e supinação do antebraço. O diagnóstico é clínico, baseado na história de parto e no exame físico. O tratamento inicial envolve fisioterapia para manter a amplitude de movimento e prevenir contraturas. A maioria dos casos apresenta recuperação significativa, mas o acompanhamento é crucial para identificar aqueles que podem necessitar de intervenção cirúrgica. É importante diferenciar de outras lesões do plexo, como a paralisia de Klumpke, que afeta as raízes inferiores e tem uma apresentação clínica distinta.
Os principais fatores de risco incluem macrossomia fetal (RN GIG), diabetes gestacional, distocia de ombro, uso de fórceps ou vácuo extrator, e trabalho de parto prolongado.
A paralisia de Erb-Duchenne (C5-C6) afeta principalmente o ombro e o braço, resultando na postura de "gorjeta de garçom". A paralisia de Klumpke (C8-T1) afeta o punho e a mão, podendo causar a "mão em garra" e, em alguns casos, Síndrome de Horner.
A maioria dos casos de paralisia de Erb-Duchenne tem recuperação espontânea completa ou quase completa nos primeiros meses de vida. No entanto, casos mais graves podem necessitar de fisioterapia intensiva ou, em raras situações, intervenção cirúrgica.
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