USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2020
Recém-nascido de termo, masculino, adequado para a idade gestacional, de 39 1/7 semanas, com peso de 4100g e estatura de 52 cm, nascido de parto vaginal, e mãe primigesta de 22 anos. Ao primeiro exame físico, sem anormalidades significativas, exceto por reflexo de moro assimétrico à direita, com membro superior direito com menos força, voltado medialmente, estendido e pronado. Baseado no diagnóstico principal, a conduta é:
RN com Moro assimétrico + MS em "gorjeta de garçom" → Paralisia de Erb; conduta inicial = fisioterapia motora.
O quadro clínico de reflexo de Moro assimétrico, fraqueza e postura de "gorjeta de garçom" em um RN macrossômico após parto vaginal é altamente sugestivo de Paralisia de Erb-Duchenne. A conduta inicial é a fisioterapia motora para prevenir contraturas e promover a recuperação funcional.
A Paralisia de Erb-Duchenne é a forma mais comum de lesão do plexo braquial obstétrico, afetando as raízes nervosas C5 e C6. Geralmente ocorre durante partos vaginais complicados, especialmente em casos de macrossomia fetal ou distocia de ombro, onde há um estiramento excessivo do pescoço e ombro do recém-nascido. Clinicamente, manifesta-se por um reflexo de Moro assimétrico, fraqueza ou paralisia do membro superior afetado, que assume a clássica postura de "gorjeta de garçom": ombro aduzido e rodado internamente, cotovelo estendido, antebraço pronado e punho fletido. O diagnóstico é essencialmente clínico, baseado na história do parto e no exame físico detalhado. A importância de um diagnóstico precoce reside na implementação de um plano de manejo adequado. Embora a maioria das lesões do plexo braquial obstétrico seja transitória e resolva espontaneamente nos primeiros meses de vida, uma pequena porcentagem pode resultar em sequelas permanentes se não tratada corretamente. A fisiopatologia envolve o estiramento, avulsão ou ruptura das raízes nervosas, levando à disfunção motora e sensorial. A conduta inicial e mais importante para a Paralisia de Erb-Duchenne é a fisioterapia motora. O objetivo é prevenir contraturas articulares, manter a amplitude de movimento passiva e ativa, e estimular a recuperação nervosa e muscular. A imobilização prolongada deve ser evitada, pois pode levar a rigidez e atrofia. A fisioterapia deve ser iniciada o mais cedo possível, com exercícios suaves e passivos, e progredir para atividades que promovam o movimento ativo e a força. A avaliação contínua da recuperação é fundamental para determinar a necessidade de intervenções adicionais, como a cirurgia, que é considerada em casos de ausência de recuperação significativa após 3 a 6 meses de tratamento conservador.
Os sinais incluem reflexo de Moro assimétrico, diminuição da força no membro superior afetado, e a característica postura de "gorjeta de garçom" (ombro aduzido e rodado internamente, cotovelo estendido, antebraço pronado e punho fletido).
A causa mais comum é a lesão por estiramento ou compressão do plexo braquial superior (raízes C5-C6) durante um parto vaginal complicado, frequentemente associada à distocia de ombro e macrossomia fetal.
A fisioterapia motora precoce é crucial para prevenir contraturas, manter a amplitude de movimento das articulações e estimular a recuperação nervosa, otimizando a função do membro afetado enquanto se aguarda a recuperação espontânea da maioria das lesões.
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