UERJ/HUPE - Hospital Universitário Pedro Ernesto (RJ) — Prova 2015
A avó de um menino de três anos e sete meses de idade mostra-se muito preocupada porque seu neto, desde que iniciou o desenvolvimento da marcha, "só anda na ponta dos pés". Os demais marcos do desenvolvimento não mostram anormalidades e a anamnese revela parto com 33 semanas e Apgar de 3 e 8 que motivaram uma permanência no berçário por 39 dias. Seu acompanhamento no ambulatório de puericultura solicitou um parecer da ortopedia infantil, suspeitando de encurtamento congênito dos tendões de Aquiles. Um exame neurológico minucioso evidenciou anormalidades que apontaram para o diagnóstico de encefalopatia crônica não progressiva que, relacionadas aos dados da anamnese, caracterizavam indicação de exame de imagem do sistema nervoso central. Nesse caso, as anormalidades no exame neurológico mais esperadas são:
Paralisia Cerebral Espástica → Hiper-reflexia, Babinski e marcha equina em prematuros com Apgar baixo.
A encefalopatia crônica não progressiva, frequentemente associada à prematuridade e eventos hipóxico-isquêmicos perinatais, manifesta-se com sinais de lesão do trato corticoespinhal. A marcha na ponta dos pés é um sinal comum de espasticidade nos membros inferiores, caracterizada por hiper-reflexia e presença de reflexos patológicos como o Babinski.
A encefalopatia crônica não progressiva, mais conhecida como Paralisia Cerebral (PC), é um grupo de distúrbios permanentes do desenvolvimento do movimento e da postura, que causam limitação da atividade, atribuíveis a distúrbios não progressivos que ocorreram no cérebro fetal ou infantil em desenvolvimento. É a causa mais comum de deficiência motora na infância, com incidência de 2 a 3 por 1000 nascidos vivos, sendo a prematuridade um dos principais fatores de risco. O diagnóstico precoce é crucial para intervenções terapêuticas que visam otimizar o desenvolvimento funcional da criança. A fisiopatologia da PC envolve lesões cerebrais que afetam as vias motoras, resultando em alterações do tônus muscular, força e coordenação. A forma espástica, a mais comum, é caracterizada por aumento do tônus muscular (espasticidade), hiper-reflexia e reflexos patológicos. A marcha na ponta dos pés (marcha equina) é um achado frequente na diplegia espástica, onde há maior comprometimento dos membros inferiores. A suspeita deve surgir em crianças com atraso nos marcos do desenvolvimento motor, padrões de movimento anormais ou histórico de fatores de risco perinatais. O tratamento da PC é multidisciplinar e visa maximizar a função e a qualidade de vida, incluindo fisioterapia, terapia ocupacional, fonoaudiologia, uso de órteses e, em alguns casos, intervenções medicamentosas (toxina botulínica, relaxantes musculares) ou cirúrgicas (alongamento de tendões, rizotomia seletiva). O prognóstico varia amplamente dependendo da extensão e localização da lesão cerebral, mas a intervenção precoce e contínua é fundamental para melhorar os resultados funcionais e prevenir complicações secundárias.
Os principais sinais incluem hipertonia (espasticidade), hiper-reflexia profunda, presença de reflexos patológicos como o sinal de Babinski, clônus e padrões de movimento anormais, como a marcha equina (na ponta dos pés).
A prematuridade é um fator de risco significativo para a encefalopatia crônica não progressiva (paralisia cerebral), devido à maior vulnerabilidade do cérebro imaturo a lesões hipóxico-isquêmicas, hemorragias intraventriculares e leucomalácia periventricular.
Em crianças maiores de 2 anos, a presença do sinal de Babinski (extensão do hálux com flexão dos outros dedos ao estimular a planta do pé) é um achado patológico, indicando lesão do trato corticoespinhal e sendo um forte indicativo de disfunção neurológica central.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo