Paralisia de Bell: Diagnóstico e Tratamento com Prednisona

UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2023

Enunciado

Mulher de 42 anos acorda com uma sensação de "dormência" facial à esquerda. Após cerca de 2 horas, ela desenvolve otalgia do lado esquerdo, hiperacusia e desconforto facial. O quadro seguiu-se com paralisia facial do lado esquerdo da face, com desvio da rima labial, fraqueza facial e assimetria progredindo para paralisia flácida completa no início da noite. Ao exame físico, a aparência de repouso da face esquerda demonstra ptose do supercílio, fissura palpebral alargada, apagamento do sulco nasolabial esquerdo e mau posicionamento inferior da comissura oral esquerda. Há completa ausência de movimento da sobrancelha, fechamento incompleto do olho com esforço total e perda de sorriso, rosnado e franzimento do lábio no lado afetado. Sem outras alterações no exame físico e a paciente não apresenta comorbidades ou faz uso de medicações. Ao comparecer ao serviço de pronto atendimento, a medicação que deve ser prescrita é a(o)

Alternativas

  1. A) prednisona.
  2. B) alteplase.
  3. C) heparina.
  4. D) ácido acetil salicílico.
  5. E) tenecteplase.

Pérola Clínica

Paralisia de Bell (facial periférica idiopática) → tratamento precoce com corticosteroides (prednisona) para ↑ recuperação funcional.

Resumo-Chave

A Paralisia de Bell é uma paralisia facial periférica idiopática de início agudo, caracterizada por fraqueza ou paralisia de toda a hemiface, frequentemente precedida por otalgia ou hiperacusia. O tratamento de escolha, especialmente se iniciado nas primeiras 72 horas, são os corticosteroides (prednisona) para reduzir a inflamação do nervo facial e melhorar o prognóstico de recuperação.

Contexto Educacional

A Paralisia de Bell, ou paralisia facial periférica idiopática, é a causa mais comum de paralisia facial unilateral aguda. Caracteriza-se por uma disfunção do nervo facial (VII par craniano) sem causa identificável, embora a reativação do vírus herpes simplex seja uma hipótese etiológica. É fundamental para o residente diferenciar a paralisia facial periférica (que afeta toda a hemiface, incluindo a testa) da central (que poupa a testa, pois há inervação bilateral do córtex para a porção superior da face). A apresentação clínica típica inclui início súbito de fraqueza ou paralisia em um lado da face, com dificuldade para fechar o olho, sorrir, franzir a testa e assimetria facial. Sintomas prodrômicos como dor retroauricular (otalgia) e hiperacusia são comuns. O diagnóstico é clínico, por exclusão de outras causas de paralisia facial, como AVC, tumores, infecções (herpes zoster oticus - Síndrome de Ramsay Hunt) ou doença de Lyme. Não há exames laboratoriais ou de imagem específicos para a Paralisia de Bell, mas podem ser solicitados para excluir diagnósticos diferenciais. O tratamento da Paralisia de Bell é primariamente com corticosteroides orais, como a prednisona, iniciados preferencialmente nas primeiras 72 horas para otimizar a recuperação. A terapia antiviral (aciclovir ou valaciclovir) pode ser considerada em casos graves ou quando há suspeita de etiologia viral, embora seu benefício isolado seja controverso. O cuidado ocular é essencial para prevenir ceratite por exposição, com uso de colírios lubrificantes e oclusão noturna. A maioria dos pacientes se recupera completamente em semanas ou meses, mas alguns podem ter sequelas como sincinesias ou fraqueza persistente.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sinais e sintomas da Paralisia de Bell?

A Paralisia de Bell manifesta-se com fraqueza ou paralisia súbita e unilateral de toda a musculatura facial, incluindo a testa (incapacidade de franzir a sobrancelha). Pode haver também otalgia, hiperacusia (sensibilidade aumentada a sons), alteração do paladar e lacrimejamento excessivo ou reduzido no lado afetado.

Qual a medicação de primeira linha para a Paralisia de Bell e por que?

A medicação de primeira linha para a Paralisia de Bell são os corticosteroides, como a prednisona. Eles são usados para reduzir a inflamação e o edema do nervo facial, que é a causa provável da paralisia, melhorando as chances de recuperação completa da função motora e sensorial.

Quando o tratamento com corticosteroides deve ser iniciado na Paralisia de Bell?

O tratamento com corticosteroides deve ser iniciado o mais precocemente possível, idealmente dentro das primeiras 72 horas do início dos sintomas. A eficácia diminui significativamente se iniciado após esse período, embora ainda possa ser considerado em alguns casos.

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