Paralisia de Bell: Diagnóstico e Tratamento com Corticoides

UERN - Universidade do Estado do Rio Grande do Norte — Prova 2020

Enunciado

Mulher de 35 anos procura assistência médica por apresentar quadro súbito de desvio de rima bucal para a direita e incapacidade em fechar o olho esquerdo. Está nervosa por recear ser vítima de um “derrame na cabeça”. A principal hipótese diagnóstica e a conduta terapêutica são, respectivamente,

Alternativas

  1. A) Isquemia em tronco cerebral e heparina.
  2. B) Isquemia em hemisfério cerebral e aspirina.
  3. C) Paralisia de Bell e corticóide.
  4. D) Paralisia de Bell e tiamina.

Pérola Clínica

Paralisia facial periférica aguda (Bell) → desvio rima bucal e incapacidade de fechar olho ipsilateral. Tratamento = corticosteroide.

Resumo-Chave

O quadro clínico de desvio de rima bucal para a direita e incapacidade de fechar o olho esquerdo, com início súbito, é clássico de paralisia facial periférica, sendo a Paralisia de Bell a causa mais comum. A assimetria facial que afeta tanto a parte superior (incapacidade de fechar o olho) quanto a inferior da face (desvio de rima) é característica de lesão periférica do nervo facial. O tratamento de escolha é a corticoterapia.

Contexto Educacional

A Paralisia de Bell é a causa mais comum de paralisia facial periférica aguda idiopática, resultando de uma inflamação do nervo facial (VII par craniano). Sua incidência é de aproximadamente 20-30 casos por 100.000 pessoas por ano, afetando igualmente homens e mulheres, com pico de incidência entre 20 e 40 anos. A etiologia exata é desconhecida, mas acredita-se que infecções virais (especialmente herpes simplex) e fatores inflamatórios desempenhem um papel. Clinicamente, a Paralisia de Bell se manifesta por um início súbito de fraqueza ou paralisia de toda a musculatura de uma hemiface, incluindo a incapacidade de enrugar a testa, fechar o olho completamente (com lagoftalmo e epífora) e desvio da rima bucal para o lado não afetado. A distinção de uma paralisia facial central (onde a testa é poupada) é crucial para o diagnóstico diferencial com AVC. O tratamento padrão ouro para a Paralisia de Bell é a administração de corticosteroides (como prednisona) iniciada dentro de 72 horas do início dos sintomas, o que melhora significativamente o prognóstico de recuperação completa. Em alguns casos, antivirais podem ser considerados, embora sua eficácia isolada seja controversa. A proteção ocular é fundamental para prevenir lesões de córnea devido ao lagoftalmo.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais clínicos que diferenciam a paralisia facial periférica da central?

Na paralisia facial periférica (como a de Bell), há comprometimento de toda a hemiface ipsilateral, incluindo a incapacidade de enrugar a testa e fechar o olho. Na paralisia facial central, a testa é poupada, e o paciente consegue enrugá-la e fechar o olho.

Qual o tratamento de primeira linha para a Paralisia de Bell?

O tratamento de primeira linha para a Paralisia de Bell é a corticoterapia oral, geralmente prednisona, iniciada o mais precocemente possível (idealmente nas primeiras 72 horas) para reduzir a inflamação do nervo facial.

Quais são os diagnósticos diferenciais importantes da Paralisia de Bell?

Os diagnósticos diferenciais incluem AVC (que causa paralisia facial central), infecções (herpes zoster - Síndrome de Ramsay Hunt), tumores, doença de Lyme, trauma e outras neuropatias.

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