Paralisia de Bell: Diagnóstico e Diferenciação Clínica

HIS - Hospital Infantil Sabará (SP) — Prova 2024

Enunciado

Homem de 57 anos de idade comparece à unidade de emergência com relato de redução de força em hemiface esquerda e desvio de rima labial para a direita há 3 dias. Vem com piora progressiva do quadro desde então. Nega alteração de fala, perda de força nos membros ou qualquer outra queixa. É previamente hígido e não faz uso de medicamentos contínuos. Ao exame, apresenta apenas as alterações mostradas nas figuras a seguir: Qual é o diagnóstico mais provável?

Alternativas

  1. A) Esclerose múltipla
  2. B) Acidente vascular cerebral
  3. C) Tumor de sistema nervoso central
  4. D) Paralisia de Todd
  5. E) Paralisia de Bell

Pérola Clínica

Paralisia facial unilateral aguda, com envolvimento da testa (não poupa a fronte) → Paralisia de Bell.

Resumo-Chave

A Paralisia de Bell é uma paralisia facial periférica idiopática, caracterizada por início agudo e progressivo de fraqueza unilateral de todos os músculos da face, incluindo a testa. A ausência de outros sinais neurológicos focais e a progressão em dias são típicas, diferenciando-a de causas centrais ou outras neuropatias.

Contexto Educacional

A Paralisia de Bell é a causa mais comum de paralisia facial periférica aguda, caracterizada por uma fraqueza súbita e unilateral dos músculos faciais, sem causa aparente. Afeta o nervo facial (VII par craniano) em seu trajeto, resultando em comprometimento tanto da porção superior quanto inferior da face, incluindo a incapacidade de enrugar a testa, fechar o olho e desviar a rima labial. Sua importância reside na necessidade de um diagnóstico rápido para iniciar o tratamento e diferenciar de outras condições mais graves. A fisiopatologia da Paralisia de Bell é idiopática, mas a teoria mais aceita envolve a reativação viral (principalmente Herpes Simplex) levando a inflamação, edema e compressão do nervo facial dentro do canal ósseo. O diagnóstico é clínico, baseado na apresentação aguda e unilateral da paralisia facial completa, sem outros sinais neurológicos focais. É crucial excluir outras causas como AVC, tumores, infecções (Herpes Zoster, Lyme) e doenças autoimunes. O tratamento visa reduzir a inflamação e acelerar a recuperação. Corticosteroides (prednisona) são a base do tratamento, com melhor eficácia se iniciados nas primeiras 72 horas do início dos sintomas. Antivirais podem ser adicionados, embora seu benefício isolado seja controverso. A proteção ocular é fundamental para prevenir ceratite por exposição, devido à dificuldade de fechar o olho. A maioria dos pacientes se recupera completamente, mas alguns podem ter sequelas como sincinesias ou fraqueza residual.

Perguntas Frequentes

Como diferenciar paralisia facial central de periférica?

Na paralisia facial periférica (como a de Bell), há comprometimento de toda a hemiface, incluindo a testa. Na paralisia facial central (como no AVC), a testa é poupada, e o paciente consegue enrugar a fronte.

Qual a etiologia mais comum da Paralisia de Bell?

A Paralisia de Bell é idiopática, mas acredita-se que seja causada por inflamação e edema do nervo facial (VII par craniano), frequentemente associada à reativação do vírus Herpes Simplex.

Qual o tratamento inicial para a Paralisia de Bell?

O tratamento inicial geralmente envolve corticosteroides (prednisona) para reduzir a inflamação do nervo, e antivirais (aciclovir ou valaciclovir) podem ser considerados, especialmente se iniciados precocemente.

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