Santa Casa de Belo Horizonte (MG) — Prova 2017
A medicina que se origina a partir da anátomo-clínica é uma medicina do corpo, das lesões e das doenças. Baseado nos fundamentos do paradigma anátomo-clínico na conformação da medicina das doenças, avalie as afirmativas abaixo: I. O corpo humano é semelhante a uma máquina artificial. II. Existe uma desvalorização da relação médico – pessoa. III. A doença é uma entidade biológica. IV. A vida surgiu de um átomo. Estão CORRETAS as afirmativas.
Paradigma anátomo-clínico: corpo = máquina, doença = entidade biológica, desvaloriza relação médico-pessoa.
O paradigma anátomo-clínico, base da medicina moderna, foca na doença como uma entidade biológica localizada no corpo (visto como máquina), muitas vezes negligenciando aspectos psicossociais e a relação médico-paciente em favor da objetividade e da lesão.
O paradigma anátomo-clínico, que emergiu no século XVIII e se consolidou no século XIX, revolucionou a medicina ao estabelecer a doença como uma entidade biológica com sede em lesões orgânicas específicas, passíveis de serem identificadas e classificadas. Essa abordagem transformou a prática médica, direcionando o foco para a observação clínica detalhada, a correlação com achados patológicos e a busca por causas e tratamentos específicos para as doenças. Nesse modelo, o corpo humano é frequentemente concebido como uma máquina, cujas partes podem ser analisadas e reparadas. Essa visão mecanicista, embora tenha impulsionado avanços diagnósticos e terapêuticos, levou a uma desvalorização da dimensão subjetiva do paciente e da relação médico-pessoa, priorizando a objetividade da doença sobre a experiência do indivíduo. A afirmativa IV ("A vida surgiu de um átomo") não se alinha diretamente com os fundamentos do paradigma anátomo-clínico, que se concentra na compreensão da doença e do corpo em um nível biológico e orgânico, não na origem da vida em si. Portanto, as afirmativas I, II e III são as que corretamente descrevem esse paradigma.
As características incluem a visão do corpo como máquina, a doença como uma entidade biológica com lesões localizadas, a valorização da observação objetiva e a desvalorização da subjetividade do paciente.
O modelo biomédico é uma extensão e consolidação do paradigma anátomo-clínico, focando na biologia e fisiopatologia da doença, com ênfase em causas físicas e tratamento farmacológico ou cirúrgico.
As críticas incluem o reducionismo, a despersonalização do paciente, a negligência de fatores psicossociais e culturais na saúde e doença, e a dificuldade em lidar com condições crônicas e multifatoriais.
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