Parada Secundária da Descida: Diagnóstico e Conduta Obstétrica

UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2021

Enunciado

Primigesta, 29 anos, 41 semanas de gestação, apresenta evolução do trabalho de parto segundo partograma abaixo. Altura uterina 39 cm, avaliação da bacia: conjugado diagonal: 11,0 cm; espinhas ciáticas salientes, bituberoso: 10 cm e ângulo subpúbico < 90°. À meia-noite, foi instalada analgesia peridural contínua. Considerando a avaliação realizada às 3:00 h, o diagnóstico do partograma e a conduta, RESPECTIVAMENTE, são:

Alternativas

  1. A) parada secundária da descida / aplicação do fórcipe de Kielland.
  2. B) parada secundária da rotação / realização da cesárea.
  3. C) período pélvico prolongado / ultimação do parto com o vácuo-extrator.
  4. D) parada secundária da descida / realização da cesárea.
  5. E) parada secundária da rotação / aplicação do fórcipe de Kielland.

Pérola Clínica

Parada secundária da descida, especialmente com bacia desfavorável, frequentemente indica cesárea.

Resumo-Chave

A parada secundária da descida no trabalho de parto é caracterizada pela ausência de progressão da apresentação fetal por um período determinado, geralmente 1 hora ou mais, após o colo estar totalmente dilatado. Fatores como bacia desfavorável (espinhas ciáticas salientes, ângulo subpúbico < 90°) e analgesia peridural podem contribuir. Nesses casos, a cesárea é a conduta mais segura para evitar complicações maternas e fetais.

Contexto Educacional

A distocia de progressão no trabalho de parto é uma das principais indicações de cesariana e um desafio comum na prática obstétrica. A parada secundária da descida, especificamente, refere-se à falha da apresentação fetal em progredir através do canal de parto durante o segundo estágio, apesar de contrações uterinas adequadas. O monitoramento cuidadoso através do partograma é essencial para identificar precocemente essa complicação e intervir de forma oportuna, garantindo a segurança materno-fetal. A fisiopatologia da parada secundária da descida pode envolver múltiplos fatores, incluindo desproporção céfalo-pélvica (DCP), contrações uterinas ineficazes, malposições fetais (ex: occipitoposterior persistente) e efeitos da analgesia peridural, que pode reduzir a força de puxo materna. A avaliação da bacia obstétrica, que inclui a medida do conjugado diagonal, a proeminência das espinhas ciáticas e o ângulo subpúbico, é fundamental para estimar a capacidade do canal de parto. Uma bacia com características desfavoráveis, como espinhas ciáticas salientes e ângulo subpúbico agudo, sugere um risco aumentado de distocia. A conduta na parada secundária da descida deve ser individualizada. Após a confirmação do diagnóstico pela análise do partograma e exclusão de outras causas reversíveis, como bexiga cheia, a decisão entre parto vaginal assistido (fórcipe ou vácuo-extrator) e cesárea depende de fatores como a altura da apresentação, a experiência do obstetra, as condições maternas e fetais e, crucialmente, a avaliação da bacia. Em casos de bacia desfavorável ou falha na progressão, a cesárea é frequentemente a opção mais segura para prevenir morbidade e mortalidade materno-fetal.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para diagnosticar parada secundária da descida?

A parada secundária da descida é diagnosticada quando não há progressão da apresentação fetal por pelo menos 1 hora no período pélvico (segundo estágio do trabalho de parto), após o colo estar totalmente dilatado e a paciente em fase ativa de puxos.

Como a avaliação da bacia influencia a conduta na distocia?

A avaliação da bacia, incluindo o conjugado diagonal, proeminência das espinhas ciáticas e ângulo subpúbico, é crucial para identificar estreitamentos ou formatos desfavoráveis (ex: bacia andróide). Uma bacia desfavorável aumenta o risco de distocia e pode indicar a necessidade de cesárea em casos de parada de progressão.

Quando a cesárea é indicada em casos de parada da descida?

A cesárea é indicada quando há parada secundária da descida e falha nas tentativas de manejo conservador, especialmente se houver fatores de risco como bacia desfavorável, macrossomia fetal ou sinais de sofrimento fetal. É a conduta mais segura para resolver a distocia e prevenir complicações.

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