Santa Casa de Votuporanga (SP) — Prova 2020
Paciente primigesta, gestação de 40 semanas, pré-natal sem intercorrências admitida às 7 horas com 2 contrações de 30 segundos em 10 minutos, colo completamente apagado, com 3 cm de dilatação. Inicia- se a construção do partograma, apresentação cefálica, bolsa íntegra, 140 bpm de FCF, plano de De Lee -3. Avaliação das 12 horas mostrou colo fino central, permeável para 8 cm, plano de De Lee zero, traçado cardiotocográfico estado fetal tranquilizador. Às 14 horas, dilatação completa, bolsa rota 1 hora antes, líquido meconial fluído, plano de De Lee zero. Às 15 e 17 horas observou-se a mesma condição anotada na avaliação das 14 horas, mas agora com bradicardia fetal durante as contrações. Considerando o caso descrito, assinale a alternativa que apresenta o diagnóstico CORRETO:
Dilatação completa + ausência de descida fetal por > 1h (primigesta) = Parada secundária da descida.
A parada secundária da descida é diagnosticada quando, após a dilatação completa, a apresentação fetal não progride no canal de parto por um período determinado (geralmente > 1 hora em primigestas com analgesia, ou > 2 horas sem analgesia). O plano de De Lee permanece inalterado.
As distócias do trabalho de parto representam uma das principais causas de intervenção obstétrica, incluindo a cesariana. A parada secundária da descida é uma distócia do período expulsivo, caracterizada pela ausência de progressão da apresentação fetal no canal de parto, apesar da dilatação cervical completa e de contrações uterinas adequadas. Sua identificação precoce através do partograma é fundamental para evitar complicações maternas e fetais. O diagnóstico é estabelecido quando, após a dilatação completa (10 cm), a altura da apresentação fetal, avaliada pelo plano de De Lee, não se altera por um período definido. Para primigestas, esse período é geralmente superior a 1 hora com analgesia peridural ou 2 horas sem. A persistência da apresentação no plano zero de De Lee, como no caso descrito, é um forte indicativo. A bradicardia fetal durante as contrações, observada no caso, pode ser um sinal de sofrimento fetal associado à prolongada pressão sobre a cabeça fetal. O manejo da parada secundária da descida pode envolver a reavaliação da pelve e da posição fetal, a otimização das contrações uterinas (com ocitocina, se necessário) ou, em casos de falha de progressão ou sinais de sofrimento fetal, a indicação de parto operatório (fórceps, vácuo extrator ou cesariana). O conhecimento aprofundado das distócias é essencial para a segurança do binômio mãe-bebê e para a prática da obstetrícia.
Em primigestas, a parada secundária da descida é diagnosticada quando há dilatação cervical completa e ausência de progressão da apresentação fetal por mais de 1 hora com analgesia peridural ou mais de 2 horas sem analgesia.
O plano de De Lee é crucial para avaliar a altura da apresentação fetal em relação às espinhas isquiáticas. Um plano de De Lee inalterado, apesar da dilatação completa e contrações efetivas, indica falha na descida.
As causas podem incluir desproporção céfalo-pélvica, má-posição fetal (occipital posterior persistente), contrações uterinas ineficazes, ou analgesia peridural excessiva que relaxa a musculatura pélvica.
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