Partograma: Diagnóstico de Parada de Progressão no Parto

CESUPA - Centro Universitário do Estado do Pará — Prova 2020

Enunciado

Secundigesta de 29 anos, primeiro parto vaginal, de termo, com recém-nascido pesando 3100g, está na 39ª semana de gestação e há 8 horas foi admitida no pré-parto. Os exames mostram boa vitalidade fetal e dinâmica uterina adequada. O médico assistente procedeu amniotomia na 6ª hora de evolução, com saída de líquido claro. Analisando a evolução da dilatação e da descida demonstradas no partograma abaixo, assinale o diagnóstico obstétrico: 

Alternativas

  1. A) Trata-se de evolução normal do trabalho de parto.
  2. B) Trata-se de parada de progressão do primeiro período do trabalho de parto.
  3. C) Trata-se de segundo período do trabalho de parto prolongado.
  4. D) Trata-se de parada de progressão do segundo período do trabalho de parto.

Pérola Clínica

Partograma: Parada de progressão no 2º período = ausência de descida/rotação fetal por ≥ 1h (multípara) ou ≥ 2h (nulípara) com puxos efetivos.

Resumo-Chave

A parada de progressão do segundo período do trabalho de parto ocorre quando, apesar de contrações uterinas adequadas e puxos maternos efetivos, não há descida ou rotação da apresentação fetal por um tempo determinado. O partograma é essencial para monitorar e diagnosticar essa distocia.

Contexto Educacional

O trabalho de parto é um processo fisiológico, mas pode apresentar distocias que exigem intervenção. O partograma é uma ferramenta essencial na monitorização da progressão do trabalho de parto, permitindo a identificação precoce de desvios da normalidade e a tomada de decisões clínicas adequadas. A compreensão das fases do trabalho de parto e dos critérios para suas distocias é fundamental para a prática obstétrica e para as provas de residência. O trabalho de parto é dividido em três períodos: dilatação, expulsão e dequitação. O segundo período, ou período expulsivo, inicia-se com a dilatação cervical completa e termina com o nascimento do feto. A parada de progressão neste período é uma distocia caracterizada pela ausência de descida ou rotação da apresentação fetal por um tempo determinado, apesar de contrações uterinas adequadas e esforços maternos. Os critérios de tempo variam entre nulíparas (≥ 2 horas) e multíparas (≥ 1 hora), podendo ser estendidos na presença de analgesia peridural. O diagnóstico é feito pela análise do partograma, que mostra a estagnação da curva de descida fetal. As causas podem ser variadas, incluindo desproporção céfalo-pélvica, má-posição fetal, ou contrações uterinas ineficazes. O manejo pode envolver a correção da causa (se possível), uso de ocitocina para melhorar a dinâmica uterina, ou a finalização do parto por via cirúrgica (cesariana) ou instrumental (fórceps/vácuo extrator), dependendo da situação clínica e da segurança materno-fetal. O reconhecimento precoce e a intervenção apropriada são cruciais para evitar complicações maternas e neonatais.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para diagnosticar parada de progressão no segundo período do trabalho de parto?

Em multíparas, a parada é diagnosticada após 1 hora sem descida ou rotação fetal, com puxos efetivos e dilatação completa. Em nulíparas, o critério é de 2 horas. Se houver analgesia peridural, esses tempos podem ser estendidos para 2 e 3 horas, respectivamente.

Como o partograma auxilia no diagnóstico de distocias?

O partograma é uma ferramenta gráfica que registra a evolução da dilatação cervical e da descida fetal ao longo do tempo. Ao comparar a curva de evolução do paciente com as curvas de alerta e ação, é possível identificar desvios da normalidade e diagnosticar distocias como a parada de progressão.

Quais são as condutas para a parada de progressão do segundo período?

As condutas dependem da causa e das condições maternas e fetais. Podem incluir reavaliação da pelve e apresentação fetal, uso de ocitocina para otimizar contrações, ou intervenção cirúrgica (parto instrumental ou cesariana) se não houver progresso ou houver sofrimento fetal.

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