USP/HCFMUSP - Hospital das Clínicas da FMUSP (SP) — Prova 2022
Primigesta de 25 anos de idade, 39 semanas de gestação, está em trabalho de parto há 10 horas. A analgesia peridural foi instalada há 6 horas. No momento 8 cm de dilatação do colo uterino, inalterado há 2 horas. Dinâmica uterina com 5 contrações fortes em 10 minutos. Cardiotocografia com BCF de 140 bpm, variabilidade diminuída, sem acelerações transitórias, nem desacelerações. Na inspeção, observa-se a figura a seguir. Qual é a conduta obstétrica?
Primigesta com parada de progressão (8cm há 2h) + DU adequada + CTG com variabilidade ↓ → Cesárea imediata.
Em uma primigesta com trabalho de parto prolongado, dilatação inalterada por 2 horas na fase ativa (parada de progressão) e dinâmica uterina adequada, a presença de uma cardiotocografia com variabilidade diminuída (não tranquilizadora) é um sinal de alerta para o bem-estar fetal. Nesses casos, a conduta mais segura e indicada é a cesariana imediata para evitar complicações maternas e fetais.
O trabalho de parto é um processo dinâmico que exige monitoramento contínuo para identificar desvios da normalidade. Em primigestas, o trabalho de parto tende a ser mais longo, mas a parada de progressão na fase ativa é uma complicação que demanda atenção. A definição de parada de progressão na fase ativa é a ausência de alteração cervical por pelo menos 2 horas, com dinâmica uterina adequada, ou por 4 horas com dinâmica uterina inadequada. No caso apresentado, a paciente está com 8 cm de dilatação inalterada por 2 horas, com 5 contrações fortes em 10 minutos, o que configura uma parada de progressão com dinâmica uterina eficaz. Além da parada de progressão, a avaliação do bem-estar fetal é crucial. A cardiotocografia (CTG) com BCF de 140 bpm, mas com variabilidade diminuída e ausência de acelerações transitórias ou desacelerações, é considerada um padrão não tranquilizador. A variabilidade da frequência cardíaca fetal é um dos indicadores mais sensíveis de oxigenação fetal. Sua diminuição pode ser um sinal precoce de hipóxia fetal ou acidose, mesmo na ausência de desacelerações óbvias. Diante de uma parada de progressão do trabalho de parto em uma primigesta, com dinâmica uterina já adequada e um padrão de CTG não tranquilizador, a conduta mais segura e indicada é a cesariana imediata. Tentar a ocitocina para aumentar as contrações seria inadequado, pois a dinâmica já é forte, e poderia exacerbar o sofrimento fetal. A cesariana visa resolver rapidamente a situação, protegendo a mãe e o feto de complicações decorrentes do trabalho de parto prolongado e da possível hipóxia fetal.
Na fase ativa do trabalho de parto, a parada de progressão é diagnosticada quando há dilatação cervical inalterada por 2 horas ou mais, com dinâmica uterina adequada (≥ 3 contrações fortes em 10 minutos), ou por 4 horas ou mais com dinâmica uterina inadequada.
A variabilidade diminuída refere-se à redução das flutuações da linha de base da frequência cardíaca fetal. É um sinal preocupante que pode indicar hipóxia fetal, acidose ou efeito de medicamentos, exigindo avaliação e, frequentemente, intervenção imediata.
A cesariana é indicada quando há parada de progressão do trabalho de parto na fase ativa, especialmente se associada a sinais de sofrimento fetal (como CTG não tranquilizadora), ou quando há suspeita de desproporção céfalo-pélvica ou outras causas obstrutivas.
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