Parada de Parto e Sofrimento Fetal: Conduta Urgente

SES-PE - Secretaria de Estado de Saúde de Pernambuco — Prova 2015

Enunciado

Primigesta, 17 anos , 39 semanas, com dor em baixo ventre e perda de tampão mucoso. Pré-natal de risco habitual e em uso apenas de sal de ferro. À admissão: AFU: 42 cm, Dinâmica Uterina (DU): 3/35"/10", BCF: 148 bpm, TV: 5 cm, 70%, Bolsa Íntegra (BI), cefálico, plano -1 de De Lee, tocando-se o promontório. Estimula-se deambulação e após 2 horas: DU: 4/35"/10", 150 bpm, 6 cm, BI, plano 0. Duas horas após: DU: 4/45"/10", BCF: 128 bpm, 6 cm, 80%, BI, plano 0. Mais 2 horas depois (6 horas do momento da admissão), ocorre ruptura espontânea da bolsa com líquido meconial ++/3+, AFU: 39 cm, DU: 5/50"/10", BCF: 108 bpm, 6 cm, plano +1, variação ODP e presença de bossa. Qual a conduta a ser adotada?

Alternativas

  1. A) Manter a expectação do trabalho de parto com monitorização dos BCFs.
  2. B) Administrar a infusão em bolus de ocitocina para acelerar a fase de dilatação.
  3. C) Aplicar fórcipe de Kielland para completar rotação e usar o de Simpson para desprendimento do polo cefálico.
  4. D) Indicar interrupção da gestação por via abdominal.
  5. E) Promover versão externa e realizar grande extração podálica.

Pérola Clínica

Parada de progressão + sofrimento fetal (BCF ↓, mecônio ++) → Cesariana de emergência.

Resumo-Chave

A paciente apresenta parada de progressão do trabalho de parto (dilatação em 6 cm por 4h, apesar de dinâmica uterina adequada) e sinais de sofrimento fetal agudo (BCF ↓, líquido meconial ++/3+, bossa), indicando a necessidade de interrupção imediata da gestação por via abdominal.

Contexto Educacional

O caso clínico apresenta uma primigesta com 39 semanas em trabalho de parto que evolui com distocia e sinais de sofrimento fetal. Inicialmente, a progressão é lenta, com dilatação de 5 para 6 cm em 4 horas (das 2h às 6h após admissão), caracterizando uma parada de progressão da dilatação na fase ativa (dilatação estacionária por ≥ 4 horas com contrações adequadas ou ≥ 6 horas com contrações inadequadas). Após 6 horas da admissão, a situação se agrava: ruptura espontânea da bolsa com líquido meconial ++/3+ (indicativo de sofrimento fetal), bradicardia fetal (BCF de 108 bpm, abaixo do normal de 110-160 bpm), e presença de bossa (sinal de compressão prolongada da cabeça fetal). A dilatação permanece em 6 cm, e o plano de De Lee evolui para +1, mas com variação ODP (occipito-direita posterior), que pode dificultar a rotação e descida. Diante da parada de progressão do trabalho de parto associada a sinais claros e progressivos de sofrimento fetal agudo (bradicardia, mecônio espesso, bossa), a conduta mais segura e indicada é a interrupção da gestação por via abdominal, ou seja, a cesariana de emergência. Tentar outras medidas como ocitocina ou fórcipe neste cenário seria inadequado e arriscado para o feto.

Perguntas Frequentes

Quais são os critérios para diagnosticar parada de progressão do trabalho de parto na fase ativa?

A parada de progressão na fase ativa é diagnosticada quando a dilatação cervical não progride por um período de 4 horas ou mais, apesar de contrações uterinas adequadas, ou quando a descida da apresentação não progride por 1 hora ou mais na fase ativa.

Quais sinais indicam sofrimento fetal agudo durante o trabalho de parto?

Sinais de sofrimento fetal agudo incluem bradicardia fetal persistente (BCF < 110 bpm), desacelerações tardias repetitivas, diminuição da variabilidade da frequência cardíaca fetal e presença de líquido amniótico meconial espesso.

Quando a cesariana é a conduta indicada em casos de distocia e sofrimento fetal?

A cesariana é indicada quando há falha na progressão do trabalho de parto associada a sinais de sofrimento fetal agudo, como bradicardia persistente, líquido meconial espesso e bossa, que sugerem risco iminente para o feto.

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