PCR Pediátrica: Manejo Pós-Reanimação e Bradicardia

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2020

Enunciado

Menina, 5a, chega ao Pronto Socorro em parada cardiorrespiratória (PCR) em assistolia. Ao final de um ciclo de reanimação cardiopulmonar (RCP), checa-se o ritmo, sendo identificado ritmo sinusal. Exame físico: FC= 50 bpm; pulso periférico: fino e tempo de enchimento capilar = 5 segundos. A CONDUTA É:

Alternativas

  1. A) Manter RCP de alta qualidade por mais um ciclo de 2 minutos.
  2. B) Administrar atropina.
  3. C) Administrar epinefrina (1:1000).
  4. D) Suspender a RCP e observar a monitorização, com ênfase na ventilação.

Pérola Clínica

Pós-PCR pediátrica com FC 50 bpm, pulsos finos, TEC > 3s → Choque, manter RCP de alta qualidade.

Resumo-Chave

Apesar do ritmo sinusal ter retornado, a frequência cardíaca de 50 bpm em uma criança de 5 anos é bradicardia grave, e os sinais de má perfusão (pulso fino, TEC 5s) indicam choque. Isso significa que o coração não está bombeando sangue eficazmente, e a circulação espontânea ainda não é adequada. Portanto, a RCP deve ser mantida para otimizar a perfusão.

Contexto Educacional

A parada cardiorrespiratória (PCR) em pediatria é um evento crítico que exige uma abordagem rápida e eficaz. A reanimação cardiopulmonar (RCP) de alta qualidade é a pedra angular do tratamento. Mesmo após o retorno de um ritmo organizado, como o sinusal, é fundamental avaliar a adequação da circulação espontânea, e não apenas a presença de atividade elétrica. No caso apresentado, a frequência cardíaca de 50 bpm em uma criança de 5 anos é significativamente baixa (bradicardia grave), e os sinais de má perfusão (pulso periférico fino e tempo de enchimento capilar de 5 segundos) indicam que, apesar do ritmo, o débito cardíaco é insuficiente para manter a perfusão tecidual. Isso configura um estado de choque, onde o coração não está bombeando sangue de forma eficaz. Portanto, a conduta correta é continuar a RCP de alta qualidade. O objetivo é otimizar a perfusão e a oxigenação até que a criança apresente um retorno à circulação espontânea com perfusão adequada, ou seja, com frequência cardíaca e pressão arterial apropriadas para a idade e melhora dos sinais clínicos de perfusão. Residentes devem estar aptos a reconhecer esses sinais e a tomar decisões rápidas e assertivas em situações de emergência pediátrica.

Perguntas Frequentes

Quando se considera que houve Retorno à Circulação Espontânea (RCE) em pediatria?

O RCE é definido pela presença de pulso palpável e pressão arterial mensurável, acompanhados de sinais de melhora da perfusão (ex: melhora da cor, nível de consciência, débito urinário). Apenas o ritmo sinusal no monitor não é suficiente se a perfusão for inadequada.

Qual a importância da frequência cardíaca e dos sinais de perfusão após PCR em crianças?

Uma frequência cardíaca adequada para a idade e bons sinais de perfusão (pulso forte, TEC < 2s) são cruciais. Bradicardia e má perfusão indicam que o coração não está bombeando sangue eficazmente, mesmo com ritmo, e a RCP deve ser continuada ou otimizada.

Quais as causas mais comuns de bradicardia grave em crianças após PCR?

A bradicardia grave após PCR em crianças frequentemente indica hipóxia persistente, acidose grave ou choque descompensado. A otimização da ventilação, oxigenação e manejo do choque são prioritários para reverter essa condição.

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