PCR Pediátrica: Manejo de Ritmos Não Chocáveis

Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2026

Enunciado

Escolar, sexo masculino, 6 anos de idade, com antecedente de asma em uso de beclometasona inalatória continua, deu entrada no pronto-socorro com desconforto respiratório iniciado nas últimas 12 horas. Mãe administrou salbutamol 100 mcg, 2 puffs com espaçador a cada 6 horas, sem sinais de melhora. Na triagem, paciente hiporresponsivo, com FC: 52 bpm, SpO₂: 78% em ar ambiente. Levado imediatamente à sala de emergência, monitorizado, oferecido oxigênio em máscara não reinalante, evoluiu com inconsciência. Como paciente estava sem pulso palpável, foram iniciadas com pressões torácicas de alta qualidade (frequência 100–120/min) associadas à ventilação com bolsa-válvula-máscara na relação de 15 compressões para duas ventilações. Após 2 minutos, a RCP é interrompida para a checagem de ritmo, e o monitor demonstra os seguintes parâmetros: Paciente segue sem pulso palpável. Qual é a medida imediata nesse contexto?

Alternativas

  1. A) Administrar adrenalina 0,01 mg/kg IV/IO em bolus seguido de retorno imediato da RCP de alta qualidade.
  2. B) Manter apenas ventilações com dispositivo bolsa-valva-máscara e administrar sulfato de magnésio 50 a 75 mg/kg IV em 20 minutos.
  3. C) Infundir atropina 0,1 mg/kg (máx. 1 mg) IV/IO em bolus seguido de retorno imediato da RCP de alta qualidade.
  4. D) Manter apenas ventilações com dispositivo bolsa-valva-máscara e aplicar desfibrilação de 2 J/kg sob sedação.

Pérola Clínica

PCR em pediatria (ritmo não chocável) → Adrenalina 0,01 mg/kg IMEDIATA + RCP de alta qualidade.

Resumo-Chave

Em crianças, a PCR é geralmente hipóxica (ritmos não chocáveis). A prioridade é RCP de qualidade, via aérea e adrenalina precoce para restaurar a perfusão coronariana.

Contexto Educacional

A parada cardiorrespiratória (PCR) na pediatria difere da adulta por ser predominantemente secundária à falência respiratória ou choque (hipóxia), resultando em ritmos não chocáveis como assistolia ou Atividade Elétrica Sem Pulso (AESP). O reconhecimento precoce da deterioração clínica, como bradicardia sintomática e hiporresponsividade, é crucial. O protocolo PALS enfatiza que, uma vez constatada a ausência de pulso e ritmo não chocável, a administração de adrenalina não deve ser postergada. A ventilação com bolsa-válvula-máscara (BVM) continua sendo a primeira linha para oxigenação, enquanto o acesso vascular (IV ou IO) é obtido para drogas. A qualidade das compressões (profundidade de 1/3 do diâmetro AP do tórax e retorno total) é o determinante principal do Retorno à Circulação Espontânea (RCE).

Perguntas Frequentes

Quando administrar adrenalina na PCR pediátrica?

Em ritmos não chocáveis (assistolia e AESP), a adrenalina deve ser administrada o mais rápido possível, idealmente nos primeiros 5 minutos. Em ritmos chocáveis, após o segundo choque, caso o ritmo persista após a desfibrilação e RCP.

Qual a dose de adrenalina na pediatria?

A dose padrão é 0,01 mg/kg (0,1 mL/kg da solução 1:10.000) por via intravenosa ou intraóssea, repetida a cada 3 a 5 minutos durante a ressuscitação, visando aumentar a pressão de perfusão coronariana.

Por que a relação 15:2 é usada na RCP pediátrica com dois socorristas?

A relação 15:2 visa otimizar a ventilação, já que a maioria das PCRs em crianças tem etiologia respiratória (hipóxica), mantendo uma frequência de compressões adequada enquanto se garante oxigenação mínima necessária.

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