PCR Pediátrica: Manejo da Assistolia e Epinefrina

UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2015

Enunciado

Criança de 15 meses de vida, previamente saudável, é encontrada pela mãe no berço, inconsciente e cianótica, após a mamada da madrugada. A criança chega à sala de emergência inconsciente, cianótica, em apneia e com pulsos centrais ausentes. Chega o monitor e você visualiza o seguinte traçado:: O diagnóstico e tratamento complementar ao que você já estava fazendo são:

Alternativas

  1. A) Assistolia; RCP com massagem cardíaca e ventilação; estabelecer acesso venoso ou intraósseo e administrar epinefrina 0,1 ml/kg da solução 1:10.000, sempre infundindo bólus de 3-5 ml de soro fisiológico após a administração da medicação e reavaliar o ritmo e o pulso a cada dois minutos, e procurar tratar as causas reversíveis 6Hs e 5Ts. 
  2. B) Assistolia; RCP; estabelecer acesso venoso ou intraósseo e administrar epinefrina 0,01 ml/kg da solução 1:10.000, sempre infundindo bólus de 3-5 ml de soro fisiológico após a administração da medicação e reavaliar o ritmo e o pulso a cada dois minutos, e procurar tratar as causas reversíveis 6Hs e 5Ts.
  3. C) Bradicardia; RCP com massagem cardíaca e ventilação; estabelecer acesso venoso ou intraósseo e administrar epinefrina 0,1 ml/kg da solução 1:10.000, sempre infundindo bolus de 3-5 ml de soro fisiológico após a administração da medicação e reavaliar o ritmo e o pulso a cada dois minutos, e procurar tratar as causas reversíveis 6Hs e 5Ts. 
  4. D) AESP; RCP com massagem cardíaca e ventilação; estabelecer acesso venoso ou intraósseo e administrar epinefrina 0,1 ml/kg da solução 1:10.000, sempre infundindo bólus de 3-5 ml de soro fisiológico após a administração da medicação e reavaliar o ritmo e o pulso a cada dois minutos, e procurar tratar as causas reversíveis 6Hs e 5Ts. 
  5. E) Assistolia; RCP com massagem cardíaca e ventilação; estabelecer acesso venoso ou intraósseo e administrar atropina 0,01 ml/kg da solução, sem bólus de 3-5 ml de soro fisiológico e reavaliar o ritmo e o pulso a cada dois minutos, e procurar tratar as causas reversíveis 6Hs e 5Ts.

Pérola Clínica

PCR pediátrica (Assistolia/AESP) → RCP + Epinefrina 0,01 mg/kg (0,1 ml/kg de 1:10.000) IV/IO + flush.

Resumo-Chave

A criança está em parada cardiorrespiratória (inconsciente, apneica, sem pulsos centrais). Para ritmos não chocáveis como a assistolia, a conduta é RCP de alta qualidade, estabelecimento de acesso vascular (IV/IO) e administração de epinefrina na dose correta (0,01 mg/kg ou 0,1 ml/kg da solução 1:10.000), seguida de flush, enquanto se investigam as causas reversíveis (6Hs e 5Ts).

Contexto Educacional

A parada cardiorrespiratória (PCR) em crianças é um evento devastador, frequentemente precedido por insuficiência respiratória ou choque. A assistolia é um ritmo não chocável comum em PCR pediátrica, indicando ausência de atividade elétrica organizada no coração. O reconhecimento rápido e o início imediato da ressuscitação cardiopulmonar (RCP) de alta qualidade são os pilares para tentar reverter o quadro e melhorar o prognóstico neurológico. A fisiopatologia da assistolia em crianças geralmente reflete um colapso progressivo da função cardíaca devido a hipóxia prolongada, acidose ou choque. A RCP, que inclui compressões torácicas e ventilações, visa manter um fluxo sanguíneo mínimo para órgãos vitais. O estabelecimento de um acesso vascular (intravenoso ou intraósseo) é crucial para a administração de medicamentos. O tratamento farmacológico principal para assistolia em PCR pediátrica é a epinefrina. A dose correta é de 0,01 mg/kg (0,1 ml/kg da solução 1:10.000), administrada a cada 3-5 minutos, sempre seguida de um bolus de 3-5 ml de soro fisiológico para garantir a chegada da droga à circulação central. Simultaneamente, a equipe deve procurar e tratar as causas reversíveis da PCR, conhecidas como 6Hs (hipovolemia, hipóxia, H+ [acidose], hipo/hipercalemia, hipotermia, hipoglicemia) e 5Ts (tensão no pneumotórax, tamponamento cardíaco, toxinas, trombose coronariana, trombose pulmonar), pois o tratamento dessas condições pode ser a chave para a recuperação do paciente.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais causas de parada cardiorrespiratória em crianças?

As principais causas são respiratórias (hipóxia, insuficiência respiratória) e circulatórias (choque, bradicardia grave), frequentemente culminando em assistolia ou atividade elétrica sem pulso (AESP). As 6Hs e 5Ts representam as causas reversíveis a serem investigadas.

Qual a dose correta de epinefrina para PCR pediátrica e como administrá-la?

A dose de epinefrina é de 0,01 mg/kg (equivalente a 0,1 ml/kg da solução 1:10.000) por via intravenosa ou intraóssea, repetida a cada 3-5 minutos. Deve-se sempre infundir um bolus de 3-5 ml de soro fisiológico após a medicação para acelerar sua chegada à circulação central.

O que são as 6Hs e 5Ts na PCR pediátrica?

As 6Hs são: Hipovolemia, Hipóxia, H+ (acidose), Hipo/Hipercalemia, Hipotermia, Hipoglicemia. As 5Ts são: Tensão no pneumotórax, Tamponamento cardíaco, Toxinas, Trombose coronariana, Trombose pulmonar. Identificá-las é crucial para o tratamento das causas reversíveis.

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