PCR Pediátrica: Manejo da Fibrilação Ventricular e Desfibrilação

FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2025

Enunciado

Um garoto de 3 anos de idade, com o peso de 12 kg, foi admitido em um plantão, com quadro de pneumonia grave. Ele foi intubado na origem, chegou com monitor, sem acesso venoso, e apresentava os seguintes dados: satO2: 88%; FC: 188 bpm; e FR: 60 ipm no ventilador de transporte. O paciente apresentou uma PCR, assim que fora colocado na maca da emergência. Com base nessa situação hipotética, assinale a alternativa correta, considerando a conduta adequada em caso de uma parada cardiovascular.

Alternativas

  1. A) Caso o monitor apresente o ritmo em assistolia, a primeira atitude a se tomar será aplicar choque com a carga inicial de 4 joules por kg.
  2. B) Em caso de fibrilação ventricular, deve‑se realizar o choque com a carga inicial de 2 joules por kg e, em seguida, realizar a RCP por 2 minutos, antes de se checar o ritmo.
  3. C) Em caso de taquicardia ventricular, deve ser aplicado choque com a carga inicial de 4 joules por kg e checar o ritmo imediatamente depois.
  4. D) Como o paciente já está com via aérea avançada, devem‑se realizar 15 compressões para cada 2 ventilações.
  5. E) Durante RCP, o adequado é fazer 30 ventilações por minutos, garantindo a hiperventilação do paciente.

Pérola Clínica

PCR pediátrica FV/TVSP: 1º choque 2 J/kg → RCP 2 min → checar ritmo.

Resumo-Chave

Em PCR pediátrica por FV ou TVSP, a desfibrilação é a conduta inicial. O primeiro choque é de 2 J/kg, seguido imediatamente por 2 minutos de RCP antes de reavaliar o ritmo, maximizando a chance de reversão e perfusão miocárdica.

Contexto Educacional

A parada cardiorrespiratória (PCR) em pediatria é um evento devastador, frequentemente de origem respiratória ou circulatória, e menos comumente cardíaca primária. O reconhecimento rápido e a intervenção eficaz são cruciais para a sobrevida. As diretrizes de Reanimação Cardiopulmonar Pediátrica (PALS) enfatizam a importância de uma RCP de alta qualidade e a desfibrilação precoce em ritmos chocáveis, como a fibrilação ventricular (FV) e a taquicardia ventricular sem pulso (TVSP). No manejo da PCR pediátrica, a identificação do ritmo é fundamental. Se o ritmo for chocável (FV ou TVSP), o primeiro choque deve ser administrado com uma carga de 2 joules por quilograma (J/kg). É imperativo que, após o choque, a Reanimação Cardiopulmonar (RCP) seja reiniciada imediatamente por 2 minutos, sem interrupções para checagem de pulso ou ritmo. Essa prática visa otimizar a perfusão miocárdica e cerebral antes de uma nova avaliação. Para ritmos não chocáveis, como assistolia ou atividade elétrica sem pulso (AESP), o foco é na RCP contínua e na administração de epinefrina. A relação compressão-ventilação para crianças em PCR sem via aérea avançada é de 15:2 (para dois reanimadores) ou 30:2 (para um reanimador). Com via aérea avançada, as compressões são contínuas a 100-120/minuto, e as ventilações são dadas a cada 2-3 segundos. O conhecimento dessas diretrizes é vital para todos os profissionais que atuam na emergência pediátrica.

Perguntas Frequentes

Qual a carga de choque recomendada para fibrilação ventricular em pediatria?

Para o primeiro choque em fibrilação ventricular (FV) ou taquicardia ventricular sem pulso (TVSP) em pediatria, a carga recomendada é de 2 joules por quilograma (J/kg). Choques subsequentes podem ser aumentados para 4 J/kg, com um máximo de 10 J/kg ou dose de adulto.

Qual a sequência correta após um choque em PCR pediátrica?

Após a aplicação de um choque, deve-se reiniciar imediatamente as compressões torácicas e ventilações (RCP) por 2 minutos, sem checar o ritmo ou o pulso. Somente após esses 2 minutos de RCP é que o ritmo deve ser reavaliado.

Qual a relação compressão-ventilação em PCR pediátrica com via aérea avançada?

Em PCR pediátrica com via aérea avançada (tubo orotraqueal ou máscara laríngea), as compressões torácicas devem ser contínuas, a uma frequência de 100-120 por minuto, e as ventilações devem ser realizadas a uma frequência de 1 ventilação a cada 2-3 segundos (aproximadamente 20-30 ventilações por minuto), sem pausas para as compressões.

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