SES-DF - Secretaria de Estado de Saúde do Distrito Federal — Prova 2015
Em atendimento a paciente vítima de insuficiência renal crônica, o médico deparou- se com perda súbita de consciência da paciente. Durante o atendimento, a paciente não respondia a estímulos, estava sem respiração e sem pulso carotídeo perceptível. O monitor do cardioversor/desfibrilador, que estava corretamente conectado à paciente, mostrou o seguinte ritmo cardíaco. (VER IMAGEM) Considerando esse caso clínico e tendo a leitura do cardioversor/desfibrilador acima como referência, julgue o item a seguir. Nesse caso clínico, ao realizar a estimulação cardíaca temporária, o médico não deverá utilizar marca-passo transcutâneo.
PCR (Assistolia/AESP) → RCP + Adrenalina; Marcapasso NÃO tem indicação na parada.
O marcapasso transcutâneo é indicado para bradicardias sintomáticas com pulso; em ritmos de parada (assistolia), ele não melhora o prognóstico e retarda manobras essenciais.
A parada cardiorrespiratória em pacientes com insuficiência renal crônica frequentemente está associada a distúrbios eletrolíticos, notadamente a hipercalemia. O ritmo de assistolia (linha isoelétrica no monitor) exige reconhecimento imediato e início do protocolo de ritmos não chocáveis do ACLS. A recomendação contra o uso de marcapasso transcutâneo na assistolia é baseada em evidências de que a estimulação elétrica externa não consegue induzir contração miocárdica eficaz em um coração sem atividade elétrica intrínseca e metabolicamente exaurido. O foco deve ser a manutenção da perfusão coronariana através de compressões de qualidade e a reversão da causa base, como a estabilização de membrana miocárdica e redução do potássio se houver suspeita de hipercalemia.
O marcapasso transcutâneo é indicado exclusivamente para pacientes com bradicardia sintomática (instável) que possuem pulso palpável, como ponte para o marcapasso transvenoso. Ele não deve ser utilizado em ritmos de parada cardiorrespiratória (PCR), como assistolia ou atividade elétrica sem pulso (AESP), pois estudos demonstraram que não há benefício na sobrevida ou no retorno à circulação espontânea.
O tratamento da assistolia baseia-se no ciclo de Suporte Avançado de Vida (ACLS): compressões torácicas de alta qualidade, ventilação assistida e administração precoce de Adrenalina (1mg a cada 3-5 minutos). Deve-se também investigar e tratar as causas reversíveis (os 5Hs e 5Ts), como hipercalemia (comum em pacientes renais crônicos) e hipovolemia.
Na assistolia, o miocárdio geralmente está em um estado de isquemia profunda ou distúrbio metabólico grave que impede a captura elétrica e mecânica efetiva. O tempo gasto tentando posicionar os eletrodos e ajustar o marcapasso retarda as compressões e a administração de drogas, que são as únicas intervenções com evidência de benefício nesses casos.
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