SUS-BA - Sistema Único de Saúde da Bahia — Prova 2023
Homem, 49 anos de idade, é atendido pelo SAMU em via pública após perda de consciência presenciada por transeuntes. Ao chegar ao local, os socorristas observaram ausência de movimentos respiratórios e de pulso. Foram iniciadas manobras de ressuscitação e instalado o desfibrilador externo automático, sendo indicada a necessidade de choque. Ao final do atendimento, o paciente recebeu 4 choques e evoluiu para atividade elétrica com pulso, sendo regulado para o Pronto-Socorro. Considerando o caso clínico descrito, conforme os protocolos da American Heart Association (AHA),Determine a etiologia mais provável para a parada cardiorrespiratória deste paciente.\n
PCR em adulto com ritmo chocável (FV/TVSP) → Causa mais provável = Isquemia Miocárdica (IAM).
Em adultos, a maioria das paradas cardíacas súbitas em ambiente extra-hospitalar com ritmos chocáveis decorre de doença arterial coronariana, resultando em arritmias fatais por isquemia aguda.
A abordagem da parada cardiorrespiratória (PCR) no adulto exige uma compreensão clara das etiologias prevalentes para direcionar o tratamento definitivo. Enquanto ritmos não chocáveis (AESP e assistolia) frequentemente apontam para causas sistêmicas, os ritmos chocáveis são a marca registrada da instabilidade miocárdica primária. A fisiopatologia envolve geralmente a ruptura de uma placa aterosclerótica levando à oclusão coronariana, o que despolariza as membranas celulares e desencadeia arritmias letais. O sucesso da ressuscitação depende não apenas das manobras de suporte básico e avançado de vida, mas também da identificação precoce da necessidade de reperfusão miocárdica. O reconhecimento de que a isquemia é o motor principal da PCR em adultos permite que a equipe de saúde mobilize recursos de hemodinâmica rapidamente, melhorando significativamente o prognóstico neurológico e a sobrevida a longo prazo.
A doença arterial coronariana (DAC) é responsável por aproximadamente 80% das mortes súbitas cardíacas em adultos. A isquemia miocárdica aguda ou a presença de cicatrizes de infartos prévios criam um substrato arritmogênico que predispõe à Fibrilação Ventricular (FV) ou Taquicardia Ventricular sem pulso (TVSP). Por isso, após o retorno da circulação espontânea (ROSC), a realização de um ECG de 12 derivações e a consideração de cineangiocoronariografia de emergência são passos cruciais no manejo pós-parada.
Ritmos chocáveis como FV e TVSP são manifestações elétricas de desorganização ventricular ou taquiarritmias rápidas que geralmente ocorrem devido a instabilidade elétrica do miocárdio. Diferente da assistolia ou AESP, que frequentemente resultam de causas não cardíacas (como hipóxia ou hipovolemia), a FV/TVSP em adultos é fortemente associada a eventos coronarianos agudos, onde a interrupção do fluxo sanguíneo gera focos ectópicos ou reentrada.
Embora o foco inicial da AHA seja a manutenção de RCP de alta qualidade e desfibrilação precoce, o protocolo enfatiza a identificação de causas reversíveis (5Hs e 5Ts). No entanto, em adultos com ritmos chocáveis, a suspeita clínica deve ser imediatamente direcionada para a síndrome coronariana aguda. O manejo pós-ressuscitação inclui o controle de temperatura, estabilização hemodinâmica e intervenção coronariana percutânea se houver evidência de IAM.
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