INEP Revalida - Exame Nacional de Revalidação de Diplomas Médicos — Prova 2023
Uma paciente com 30 anos, grávida de 34 semanas, sofreu colisão frontal auto vs anteparo (muro), sentada no banco do passageiro e sem uso de cinto de segurança. Foi atendida por equipe de emergência pré-hospitalar, com relato de parada cardíaca e manobras de reanimação por cerca de 5 minutos, sem sucesso, durante sua remoção até o pronto-socorro de um hospital. Foi admitida pelo cirurgião geral, em parada cardiorrespiratória e midríase paralítica bilateral, com hematoma volumoso em região frontal.Nesse caso, qual deve ser a conduta do profissional que realiza o atendimento?
PCR materna >20 semanas → Cesariana perimortem em 4-5 min para aliviar compressão aortocaval e salvar feto/mãe.
Em gestantes com mais de 20-24 semanas e parada cardiorrespiratória, a cesariana perimortem é uma medida de emergência vital. Ela visa aliviar a compressão aortocaval pelo útero gravídico, melhorando o retorno venoso e o débito cardíaco materno, aumentando as chances de sucesso da reanimação materna e, simultaneamente, permitindo o nascimento do feto com potencial de sobrevida.
A parada cardiorrespiratória (PCR) em gestantes é um evento raro, mas com alta morbimortalidade materna e fetal. O manejo exige uma abordagem rápida e coordenada, considerando as particularidades fisiológicas da gravidez. Este é um cenário crítico em emergências médicas, sendo um tópico fundamental para residentes de cirurgia, ginecologia-obstetrícia e medicina de emergência, pois a tomada de decisão ágil pode determinar o desfecho. A fisiopatologia da PCR na gestante é influenciada pela compressão aortocaval exercida pelo útero gravídico, que reduz o retorno venoso e o débito cardíaco. Além disso, a demanda metabólica aumentada e as alterações respiratórias da gravidez podem agravar a hipóxia. A identificação da idade gestacional (>20-24 semanas) é crucial, pois a partir desse período a compressão aortocaval se torna significativa. O trauma é uma das principais causas de PCR em gestantes, exigindo avaliação e manejo simultâneos da mãe e do feto. A conduta em PCR na gestante inclui as manobras de reanimação cardiopulmonar (RCP) com algumas modificações (deslocamento uterino lateral esquerdo) e, crucialmente, a cesariana perimortem. Esta deve ser realizada em até 4-5 minutos do início da PCR para aliviar a compressão aortocaval, otimizar a RCP materna e permitir a extração fetal. Mesmo com prognóstico materno desfavorável, a cesariana perimortem é indicada para tentar salvar o feto e, em alguns casos, auxiliar na recuperação materna. A decisão de realizar a cesariana perimortem é uma das mais desafiadoras e importantes na emergência obstétrica.
A principal razão é aliviar a compressão aortocaval exercida pelo útero gravídico sobre os grandes vasos maternos. Isso melhora o retorno venoso e o débito cardíaco, otimizando a eficácia das manobras de reanimação materna e aumentando as chances de sobrevida tanto da mãe quanto do feto.
A cesariana perimortem deve ser realizada o mais rapidamente possível, idealmente dentro de 4 a 5 minutos do início da parada cardiorrespiratória materna, especialmente em gestações com mais de 20-24 semanas, para maximizar as chances de sucesso materno e fetal.
O prognóstico materno é geralmente reservado, especialmente se a PCR é prolongada ou associada a trauma grave. O prognóstico fetal depende da idade gestacional, do tempo de hipóxia e da rapidez da intervenção. A cesariana perimortem pode melhorar significativamente as chances de sobrevida fetal.
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