PCR em Gestante: Manejo e Indicação de Cesárea de Emergência

UNICAMP/HC - Hospital de Clínicas da Unicamp - Campinas (SP) — Prova 2021

Enunciado

Gestante de 34 semanas é transferida a serviço terciário após parada cardiorrespiratória revertida com 4 ciclos de RCP. Chega em ventilação mecânica (FIO2= 70%, PEEP= 12 cm H2O, VC= 345mL, FR= 28 irpm, Ppico= 38 cm H₂O, Pplato=32 cm H₂O), PA= 112x57 mmHg, FC= 121 bpm, em uso de noradrenalina (0,2 mcg/kg/min). Batimentos cardíacos fetais=162 bpm, sem variabilidade. Antecedente Pessoal: sintomas gripais há 3 dias, prostração, com piora hoje.ALÉM DO ISOLAMENTO POR PROVÁVEL COVID-19 E CUIDADOS EM UNIDADE DE TERAPIA INTENSIVA, A CONDUTA É:

Alternativas

  1. A) Aguardar resultado rt-PCR de COVID-19 para realizar parto cesárea.
  2. B) Induzir parto vaginal após estabilização do quadro materno.
  3. C) Realizar parto cesárea imediato.
  4. D) Administrar corticoide para maturação pulmonar fetal e indicar parto após 48 horas.

Pérola Clínica

PCR em gestante > 20 semanas → deslocamento uterino + cesárea de emergência em 4 min se PCR não revertida.

Resumo-Chave

Em caso de parada cardiorrespiratória em gestante com mais de 20 semanas, a cesárea de emergência (perimortem) deve ser considerada precocemente (em até 4 minutos do início da PCR) para aliviar a compressão aortocava e melhorar as chances de reanimação materna e fetal.

Contexto Educacional

A parada cardiorrespiratória (PCR) em gestantes é uma emergência rara, mas com alta morbimortalidade materna e fetal. Em gestações com mais de 20 semanas, o útero gravídico pode comprimir a veia cava inferior e a aorta, levando à síndrome da compressão aortocava, que reduz o retorno venoso e o débito cardíaco materno, dificultando a reanimação. A conduta primordial na PCR em gestante é o deslocamento uterino lateral esquerdo para aliviar essa compressão. Se a PCR não for revertida em 4 minutos, a cesárea de emergência (cesárea perimortem) deve ser realizada imediatamente. O objetivo principal é salvar a vida da mãe, pois a remoção do feto melhora significativamente a hemodinâmica materna, aumentando as chances de sucesso da reanimação. A sobrevida fetal também é maior se o parto ocorrer rapidamente após o início da PCR materna. Neste caso, a gestante está em 34 semanas, com PCR revertida, mas em estado grave (ventilação mecânica, choque, batimentos fetais sem variabilidade). A presença de sintomas gripais e o quadro respiratório grave sugerem COVID-19, que pode agravar a condição materna. A prioridade é a estabilização materna, e a cesárea imediata é a melhor conduta para otimizar a reanimação materna e potencialmente salvar o feto, sem aguardar resultados de exames ou maturação pulmonar.

Perguntas Frequentes

Qual a importância da descompressão aortocava na PCR em gestantes?

A descompressão aortocava, realizada pelo deslocamento uterino lateral esquerdo, é crucial para melhorar o retorno venoso e o débito cardíaco materno, otimizando a eficácia das manobras de reanimação cardiopulmonar.

Em quanto tempo deve ser realizada a cesárea perimortem?

Se a parada cardiorrespiratória não for revertida em 4 minutos após o início das manobras de reanimação e deslocamento uterino, a cesárea perimortem deve ser iniciada imediatamente.

Quais as principais causas de PCR em gestantes?

As causas mais comuns incluem hemorragia, embolia (pulmonar, líquido amniótico), pré-eclâmpsia/eclâmpsia, sepse, cardiomiopatia periparto, anestesia e trauma. Infecções como COVID-19 também podem ser desencadeantes.

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