Manejo da Parada Cardiorrespiratória na Gestante

FMJ - Faculdade de Medicina de Jundiaí - Hospital Universitário (SP) — Prova 2026

Enunciado

Uma parturiente, durante o trabalho de parto, apresentou parada cardiorrespiratória. Com base nesse caso clínico hipotético, assinale a opção que apresenta a prioridade imediata da equipe obstétrica.

Alternativas

  1. A) Finalizar o parto por vias naturais antes de qualquer reanimação.
  2. B) Iniciar reanimação cardiopulmonar (RCP) imediata. No caso de emergência obstétrica, a cesariana perimortem poderá ser considerada dentro de um período de 4 a 5 minutos, para que se aumente chance de sobrevida fetal.
  3. C) Avaliar ritmo cardíaco materno. No caso de atividade elétrica sem pulso (AESP), deve se aguardar um emergencista para a realização do manejo multidisciplinar.
  4. D) Aumentar a dose de ocitocina para acelerar o parto vaginal, que é a via de escolha para mãe e feto.
  5. E) Transferir a paciente imediatamente para outro hospital.

Pérola Clínica

PCR na gestante → RCP imediata + desvio uterino + cesariana perimortem se sem RCE em 4-5 min.

Resumo-Chave

A prioridade na PCR gestacional é a RCP de alta qualidade com desvio manual do útero para a esquerda; a cesariana perimortem deve ser realizada precocemente para otimizar a ressuscitação materna e a sobrevida fetal.

Contexto Educacional

A parada cardiorrespiratória (PCR) na gestante é um evento crítico que exige intervenção multidisciplinar imediata. A fisiologia da gestação altera a dinâmica da reanimação: o consumo de oxigênio é maior, a reserva funcional pulmonar é menor e a compressão mecânica do útero sobre os grandes vasos reduz a eficácia das manobras de suporte de vida. O protocolo atual enfatiza que a RCP não deve ser interrompida para o parto, mas sim que o parto (histerotomia de emergência) faz parte da estratégia de reanimação materna. Não é necessário transferir a paciente para um centro cirúrgico; a cesariana perimortem deve ser feita no local da parada. O foco inicial é sempre a manutenção de compressões de alta qualidade, ventilação adequada e o desvio uterino manual, seguidos pela decisão rápida de intervenção cirúrgica se a RCE não for atingida prontamente.

Perguntas Frequentes

Qual a importância do desvio uterino lateral esquerdo na RCP?

Em gestantes com idade gestacional acima de 20 semanas (ou útero ao nível da cicatriz umbilical), o útero gravídico causa compressão da veia cava inferior e da aorta quando a paciente está em decúbito dorsal. Isso reduz drasticamente o retorno venoso e o débito cardíaco, tornando as compressões torácicas ineficazes. O desvio manual do útero para a esquerda deve ser realizado continuamente durante a RCP para aliviar essa compressão e melhorar a eficácia da reanimação.

Quando deve ser realizada a cesariana perimortem?

A cesariana perimortem (ou histerotomia de emergência) deve ser considerada em gestações viáveis (geralmente >24 semanas) se não houver retorno da circulação espontânea (RCE) após 4 minutos de RCP de alta qualidade. O objetivo é realizar o parto até o 5º minuto. O procedimento visa melhorar a hemodinâmica materna ao eliminar a compressão aortocava e reduzir a demanda metabólica, além de oferecer a melhor chance de sobrevida ao feto.

Quais as principais causas de PCR na gestação?

As causas podem ser lembradas pelo mnemônico 'BEAU-CHOPS': B (Bleeding/Hemorragia), E (Embolism/Embolia amniótica ou pulmonar), A (Anesthetic complications), U (Uterine atony), C (Cardiac disease), H (Hypertension/Pré-eclâmpsia/Eclâmpsia), O (Other/H's e T's do ACLS), P (Placental abruption/Placenta prévia), S (Sepsis). O manejo deve focar tanto no suporte básico e avançado de vida quanto na identificação e tratamento rápido dessas causas reversíveis.

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