RCP em Gestantes: Manejo da Parada Cardiorrespiratória

UFRJ/HUCFF - Hospital Universitário Clementino Fraga Filho (RJ) — Prova 2024

Enunciado

Gestante, 25 anos, 21ª semana de gestação gemelar, com esquistossomose hepatoesplênica, é internada em trabalho de parto prematuro. Após episódio de hematêmese, apresenta hipotensão arterial sistêmica e sudorese. Conduta: oxigenioterapia; reposição volêmica e monitorização. Paciente evoluiu com parada cardiorrespiratória em assistolia. Pode-se afirmar que é correto o líder da equipe de reanimação cardiopulmonar (RCP):

Alternativas

  1. A) coordenar as compressões cardíacas externa com as ventilação bolsa-válvulamáscara e não solicitar desvio do útero para esquerda (indicado apenas após 25º semana de gestação)
  2. B) solicitar ajuda, um desfibrilador e que a equipe fique “à postos” para realizar uma cesárea perimortem, caso não ocorra retorno da circulação espontânea até o 4º minuto de RCP. 
  3. C) explicar a necessidade da inclinação da própria paciente com o uso de prancha para garantir o adequado desvio do útero para a esquerda, mesmo que isso afete a qualidade das compressões cardíacas
  4. D) indicar imediata desfibrilação cardíaca, compressões cardíacas externa e, caso não ocorra retorno da circulação espontânea, cesárea perimortem no 5º minuto de RCP

Pérola Clínica

PCR em gestante > 20 sem → RCP de alta qualidade + desvio uterino + considerar cesárea perimortem se RCE ausente em 4 min.

Resumo-Chave

Na PCR em gestantes com idade gestacional > 20 semanas, o desvio uterino para a esquerda é crucial para aliviar a compressão da veia cava inferior e aorta, melhorando o retorno venoso e o débito cardíaco. A cesárea perimortem deve ser considerada se não houver retorno da circulação espontânea (RCE) após 4 minutos de RCP, visando salvar a mãe e o feto.

Contexto Educacional

A parada cardiorrespiratória (PCR) em gestantes é um evento raro, mas com alta morbimortalidade materna e fetal. O manejo da PCR em gestantes segue os princípios básicos da reanimação cardiopulmonar (RCP), mas com adaptações específicas para a fisiologia da gravidez, especialmente após a 20ª semana de gestação, quando o útero gravídico pode comprometer o retorno venoso e o débito cardíaco. As principais adaptações incluem o desvio uterino para a esquerda, seja manualmente ou com inclinação da paciente, para aliviar a compressão aortocava. As compressões torácicas devem ser de alta qualidade, no terço médio do esterno, com profundidade e frequência adequadas. A desfibrilação é segura e eficaz na gestação, e a dose de medicamentos é a mesma que para não gestantes. Um ponto crítico é a consideração da cesárea perimortem. Se não houver retorno da circulação espontânea (RCE) após 4 minutos de RCP de alta qualidade, a cesárea perimortem deve ser realizada imediatamente, idealmente antes do 5º minuto. Este procedimento visa melhorar a chance de sobrevivência materna ao descomprimir os grandes vasos e o diafragma, além de potencialmente salvar o feto. A decisão e a preparação para a cesárea perimortem devem ser rápidas e coordenadas pela equipe.

Perguntas Frequentes

Qual a importância do desvio uterino na RCP em gestantes?

O desvio uterino para a esquerda é fundamental para aliviar a compressão da veia cava inferior e da aorta pelo útero gravídico, otimizando o retorno venoso, o débito cardíaco e, consequentemente, a eficácia das compressões torácicas.

Quando a cesárea perimortem deve ser considerada em uma gestante em PCR?

A cesárea perimortem deve ser considerada se não houver retorno da circulação espontânea (RCE) após 4 minutos de RCP de alta qualidade, com o objetivo de melhorar as chances de sobrevivência materna e fetal.

Quais são as principais causas de PCR em gestantes?

As causas mais comuns de PCR em gestantes incluem hemorragia, embolia (pulmonar ou líquido amniótico), pré-eclâmpsia/eclâmpsia, sepse, cardiomiopatia periparto, e causas não obstétricas como doenças cardíacas preexistentes ou trauma.

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