PCR em Gestantes: Manejo da Assistolia e Eclâmpsia

UEPA - Universidade do Estado do Pará - Belém — Prova 2022

Enunciado

Secundigesta com 37 anos de idade e com 34 semanas de gestação busca atendimento no serviço de urgência e emergência devido cefaleia, escotomas e epigastralgia. A pressão arterial de admissão é de 190/120 mmHg. Durante a consulta a paciente evolui com convulsões tônico-clônicas seguidas de parada cardiorrespiratória. O monitor mostra assistolia. Durante os procedimentos de reanimação cardiopulmonar, a conduta mais adequada é:

Alternativas

  1. A) administrar 1 mg de epinefrina o mais rápido possível.
  2. B) realizar desfibrilação com desfibrilador bifásico a 200 jaules.
  3. C) a cesária deve ser realizada se não houver reversão do quadro após 10 minutos de reanimação.
  4. D) as compressões devem ter frequência de 60 a 100 compressões por minuto.
  5. E) deve-se evitar o uso de desfibrilador mesmo em caso de ritmo chocável. 

Pérola Clínica

PCR em gestante com assistolia → RCP + epinefrina 1mg IV/IO imediata + deslocamento uterino.

Resumo-Chave

Em PCR por assistolia em gestante, a prioridade é iniciar a RCP de alta qualidade e administrar epinefrina o mais rápido possível, seguindo os protocolos de ACLS adaptados para gestantes, incluindo o deslocamento uterino.

Contexto Educacional

A parada cardiorrespiratória (PCR) em gestantes é uma emergência obstétrica rara, mas com alta morbimortalidade materna e fetal. As causas podem ser obstétricas (eclâmpsia, hemorragia, embolia) ou não obstétricas. O caso descrito aponta para uma eclâmpsia grave, que evoluiu para PCR em assistolia. O manejo segue os princípios do Suporte Avançado de Vida em Cardiologia (ACLS), com adaptações cruciais para a gestante. A reanimação cardiopulmonar (RCP) deve ser iniciada imediatamente, com compressões torácicas de alta qualidade e ventilação. A epinefrina é o vasopressor de escolha para ritmos não chocáveis (assistolia e atividade elétrica sem pulso - AESP), administrada na dose de 1 mg IV/IO a cada 3-5 minutos. É fundamental realizar o deslocamento uterino manual para a esquerda a partir das 20 semanas de gestação, a fim de aliviar a compressão da veia cava inferior e aorta pelo útero gravídico, melhorando o retorno venoso e o débito cardíaco. A cesariana perimortem deve ser considerada se não houver retorno da circulação espontânea após 4-5 minutos de RCP de alta qualidade em gestações acima de 20 semanas, visando melhorar as chances de sobrevida materna e fetal. No entanto, a administração de epinefrina e as compressões torácicas são as primeiras e mais importantes intervenções para a assistolia.

Perguntas Frequentes

Qual a dose de epinefrina na PCR em gestante com assistolia?

Na PCR em gestante com assistolia, a epinefrina deve ser administrada na dose de 1 mg IV/IO a cada 3-5 minutos, seguindo os protocolos de Suporte Avançado de Vida em Cardiologia (ACLS).

Quais são as adaptações da RCP para gestantes?

As adaptações incluem o deslocamento uterino manual para a esquerda (a partir de 20 semanas) para aliviar a compressão da veia cava e aorta, e a consideração da cesariana perimortem após 4-5 minutos de RCP sem sucesso.

Quando considerar a cesariana perimortem em gestantes?

A cesariana perimortem deve ser considerada se não houver retorno da circulação espontânea após 4-5 minutos de RCP de alta qualidade em gestações acima de 20 semanas, para melhorar as chances de sobrevida materna e fetal.

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