Famema/HCFMM - Faculdade de Medicina de Marília (SP) — Prova 2025
Adolescente, sexo feminino, 15 anos de idade, após tentativa de suicídio com ingestão de comprimidos de “uso controlado de sua avó”, apresentou parada cardiorrespiratória na chegada à sala de emergência. Durante a reanimação cardiopulmonar, ocorrendo já há 3 minutos, sem sucesso, o monitor identificou um traçado com uma frequência de cerca de 130 batimentos por minuto, com complexo QRS de duração de 0,12 segundos, com morfologia bizarra e distorcida e ausência de ondas P identificáveis.Sobre a conduta mais adequada, trata-se de um ritmo que pode ser responsivo
PCR com ritmo de QRS largo, bizarro e sem pulso (TVSP/FV) → Desfibrilação imediata (choque não sincronizado).
O cenário descreve uma parada cardiorrespiratória com um ritmo chocável (taquicardia ventricular sem pulso ou fibrilação ventricular), caracterizado por QRS largo, bizarro e ausência de ondas P. Nesses casos, a desfibrilação imediata é a intervenção mais crítica para restaurar um ritmo perfusional.
A parada cardiorrespiratória (PCR) em adolescentes, muitas vezes, é secundária a causas não cardíacas, como intoxicações exógenas, traumas ou asfixia. No entanto, a identificação precoce e o manejo adequado dos ritmos de PCR são cruciais para a sobrevida. A intoxicação por medicamentos pode induzir arritmias graves, incluindo taquicardia ventricular e fibrilação ventricular, que são ritmos chocáveis. A fisiopatologia de arritmias induzidas por intoxicação varia conforme o agente, podendo envolver bloqueio de canais de sódio, potássio ou cálcio, ou alteração da condução elétrica. O diagnóstico de um ritmo chocável (FV/TVSP) é feito pela análise do eletrocardiograma no monitor cardíaco: QRS largo, bizarro, irregular ou regular, sem ondas P e sem pulso. A suspeita deve ser alta em qualquer PCR, especialmente em contextos de intoxicação. O tratamento imediato para FV/TVSP é a desfibrilação elétrica não sincronizada, que deve ser aplicada o mais rápido possível após o reconhecimento do ritmo. Cada minuto de atraso na desfibrilação diminui as chances de sucesso. Após o choque, a RCP deve ser retomada imediatamente. O prognóstico depende da causa da PCR, do tempo de isquemia e da qualidade da RCP e desfibrilação. Pontos de atenção incluem a necessidade de seguir rigorosamente o algoritmo de PCR pediátrico/ACLS, a administração de drogas vasoativas (adrenalina) e antiarrítmicos (amiodarona, lidocaína) conforme indicação, e o tratamento da causa reversível da PCR.
Os ritmos chocáveis são a Fibrilação Ventricular (FV) e a Taquicardia Ventricular Sem Pulso (TVSP). Ambos requerem desfibrilação imediata.
A desfibrilação é a única terapia capaz de reverter a FV e TVSP, interrompendo a atividade elétrica caótica e permitindo que o nó sinusal retome o controle do ritmo cardíaco.
A diferenciação é clínica: na TVSP, o paciente está em parada cardiorrespiratória, sem pulso palpável. Na TV com pulso, há pulso e o paciente pode estar consciente, exigindo cardioversão sincronizada.
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