UNIFESP/EPM - Universidade Federal de São Paulo - Escola Paulista de Medicina — Prova 2015
Homem de 50 anos de idade, morador de rua, desnutrido, etilista, chegou no Pronto Socorro com quadro de sonolência e hipotensão. Realizado ECG abaixo:O paciente evoluiu em PCR por AESP (atividade elétrica sem pulso).Qual deve ser a etiologia da PCR?Qual a droga de escolha para ser administrada durante a PCR e sua respectiva dose?
Etilista/desnutrido com AESP + ECG bradicardia/QRS alargado → suspeitar hipercalemia grave. Tratamento: Cloreto de Cálcio (estabiliza membrana), Bicarbonato de Sódio (desloca K+).
Em pacientes com fatores de risco como etilismo e desnutrição, a hipercalemia grave é uma causa comum de PCR em AESP, manifestando-se no ECG com bradicardia e alargamento do QRS. O tratamento imediato visa estabilizar a membrana cardíaca com cálcio e promover o deslocamento de potássio para o intracelular.
A Parada Cardiorrespiratória (PCR) com Atividade Elétrica Sem Pulso (AESP) é uma forma de PCR onde há atividade elétrica organizada no ECG, mas sem pulso palpável. O manejo eficaz depende da identificação e correção das causas reversíveis, sendo a hipercalemia uma etiologia crítica, especialmente em pacientes com fatores de risco como etilismo, desnutrição e insuficiência renal. A rápida identificação é vital para a sobrevida. A fisiopatologia da hipercalemia grave na PCR envolve a despolarização parcial das membranas celulares cardíacas, levando a distúrbios de condução e arritmias fatais. O ECG é fundamental, mostrando bradicardia, alargamento do QRS e ondas T apiculadas. A suspeita deve ser alta em pacientes com histórico de etilismo, desnutrição, uso de diuréticos poupadores de potássio ou insuficiência renal. O tratamento da hipercalemia grave na PCR é emergencial e visa estabilizar a membrana cardíaca e reduzir os níveis séricos de potássio. O Cloreto de Cálcio (10 mL de solução a 10% IV) é a primeira linha para estabilização da membrana. Em seguida, medidas para deslocar o potássio para o intracelular, como Bicarbonato de Sódio (50-100 mEq IV) e insulina com glicose, devem ser administradas. A diálise pode ser necessária em casos refratários.
As causas reversíveis são as '5 Hs' (Hipovolemia, Hipóxia, H+ acidose, Hipo/Hipercalemia, Hipotermia) e '5 Ts' (Tensão pneumotórax, Tamponamento cardíaco, Toxinas, Trombose coronariana, Trombose pulmonar).
A hipercalemia grave pode causar ondas T apiculadas, prolongamento do intervalo PR, perda da onda P, alargamento do QRS e, em casos extremos, padrão sinusoidal e assistolia.
O Cloreto de Cálcio (10%) é a droga de escolha para estabilizar a membrana cardíaca, administrado em bolus de 10 mL (1 ampola) IV, podendo ser repetido. Não reduz o potássio sérico, apenas protege o miocárdio.
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