Paracoccidioidomicose Pulmonar: Diagnóstico e Imagem Típica

UFES/HUCAM - Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes - Vitória (ES) — Prova 2025

Enunciado

Paciente 54 anos, tabagista, trabalhador rural, com quadro de dispneia, emagrecimento e tosse seca há 4 meses. Radiografia de tórax evidencia envolvimento pulmonar bilateral, para-hilar e simétrico, predomínio de lesões alveolares, poupando ápices e terços inferiores (imagem de "asa de borboleta"). Em relação ao caso, assinale a alternativa correta.

Alternativas

  1. A) Dentre as hipóteses diagnosticas estão a paracoccidioidomicose que deve ser tratada com albendazol por 12 meses.
  2. B) O diagnóstico pode ser feito através de exame de escarro com pesquisa de fungos e bacilo álcool ácido resistente.
  3. C) O diagnóstico mais provável, considerando a descrição do exame de imagem, é tuberculose pulmonar e seu tratamento deve ser prontamente iniciado.
  4. D) Em casos de paracoccidioidomicose o acometimento da supra renal é raro.

Pérola Clínica

Trabalhador rural + dispneia/tosse + RX "asa de borboleta" → Paracoccidioidomicose. Diagnóstico: escarro (fungos/BAAR).

Resumo-Chave

A paracoccidioidomicose pulmonar deve ser fortemente suspeitada em trabalhadores rurais com sintomas respiratórios crônicos e radiografia de tórax com padrão bilateral, para-hilar e simétrico, com lesões alveolares poupando ápices e bases ("asa de borboleta"). O diagnóstico laboratorial é crucial e pode ser feito pela pesquisa direta de fungos no escarro, além da pesquisa de BAAR para exclusão de tuberculose.

Contexto Educacional

A paracoccidioidomicose é uma micose sistêmica endêmica na América Latina, causada pelo fungo dimórfico Paracoccidioides brasiliensis. Afeta predominantemente trabalhadores rurais do sexo masculino, tabagistas e etilistas. A forma pulmonar é a mais comum, resultando da inalação dos conídios do fungo. A doença pode se manifestar de forma aguda/subaguda (juvenil) ou crônica (adulto), sendo esta última a mais frequente. A fisiopatologia envolve a inalação dos conídios, que se transformam em leveduras nos pulmões, causando uma resposta inflamatória. Os sintomas pulmonares são inespecíficos e crônicos, como tosse, dispneia, dor torácica e emagrecimento, mimetizando outras doenças pulmonares crônicas, como tuberculose. A radiografia de tórax pode apresentar um padrão característico de infiltrados bilaterais, para-hilares e simétricos, com lesões alveolares, poupando ápices e bases, conhecido como "asa de borboleta". O diagnóstico definitivo é feito pela identificação do fungo em amostras clínicas, como escarro, lavado broncoalveolar, biópsias de lesões cutâneas ou linfonodais, por exame direto ou cultura. A pesquisa de BAAR no escarro é crucial para descartar tuberculose. O tratamento é prolongado, geralmente com itraconazol ou sulfametoxazol-trimetoprim, por 6 a 12 meses ou mais, dependendo da gravidade e da resposta. O acometimento da suprarrenal, embora não seja raro, é uma manifestação extrapulmonar que pode ocorrer.

Perguntas Frequentes

Quais são os achados radiográficos típicos da paracoccidioidomicose pulmonar?

A radiografia de tórax frequentemente mostra infiltrados bilaterais, para-hilares e simétricos, com predomínio de lesões alveolares ou intersticiais, poupando ápices e terços inferiores, configurando a imagem de "asa de borboleta".

Como é feito o diagnóstico laboratorial da paracoccidioidomicose?

O diagnóstico é confirmado pela identificação do fungo Paracoccidioides brasiliensis em amostras clínicas (escarro, lavado broncoalveolar, biópsia de lesões) por exame direto (microscopia) ou cultura. Testes sorológicos também podem ser úteis.

Por que é importante pesquisar BAAR no escarro em casos suspeitos de paracoccidioidomicose?

A tuberculose pulmonar é um importante diagnóstico diferencial da paracoccidioidomicose, especialmente em regiões endêmicas. A pesquisa de BAAR no escarro é fundamental para descartar ou confirmar a coinfecção com Mycobacterium tuberculosis.

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