Paracoccidioidomicose: Diagnóstico e Acometimento Pulmonar

UNESP/HCFMB - Hospital das Clínicas de Botucatu (SP) — Prova 2024

Enunciado

Homem de 42 anos apresenta lesão no lábio superior há seis meses, conforme a imagem. AP: morador de zona rural, agricultor, tabagista de 8 cigarros de palha por dia e etilista de meia garrafa de aguardente diária.Sobre a hipótese diagnóstica, é correto afirmar que:

Alternativas

  1. A) no exame direto para a confirmação diagnóstica, visualiza-se estruturas arredondadas, de parede birrefringente e gemulação simples.
  2. B) a principal porta de entrada é traumática, sendo o tabagismo de cigarros de palha uma das formas mais comuns.
  3. C) é comum, na forma clínica, o comprometimento linfonodal, com aumento de volume local, calor, rubor e fistulização com secreção purulenta.
  4. D) é imperativa a realização de raio-X de tórax para avaliação de comprometimento pulmonar.

Pérola Clínica

PCM em agricultor com lesão crônica labial → Sempre investigar acometimento pulmonar com RX de tórax.

Resumo-Chave

A Paracoccidioidomicose é uma micose sistêmica endêmica no Brasil, comum em trabalhadores rurais. Lesões mucocutâneas, como a labial, são frequentes, mas o acometimento pulmonar é quase universal e muitas vezes assintomático, tornando o raio-X de tórax essencial para estadiamento e tratamento.

Contexto Educacional

A Paracoccidioidomicose (PCM), também conhecida como blastomicose sul-americana, é uma micose sistêmica granulomatosa endêmica na América Latina, causada pelo fungo dimórfico Paracoccidioides brasiliensis ou P. lutzii. A infecção ocorre por inalação de conídios do fungo presentes no solo. É mais comum em homens adultos, especialmente trabalhadores rurais, agricultores e indivíduos com histórico de tabagismo e etilismo, que são fatores de risco para a progressão da doença. Clinicamente, a PCM pode se manifestar de forma aguda/subaguda (juvenil) ou crônica (adulto). A forma crônica é a mais comum, com lesões mucocutâneas (oral, nasal, faríngea, laríngea), pulmonares (tosse, dispneia, dor torácica), linfonodais e, em casos mais graves, disseminação para outros órgãos. O diagnóstico é feito pela visualização do fungo em exame direto (células arredondadas, birrefringentes, com gemulação múltipla em "roda de leme") ou cultura, além de sorologia. Devido à natureza sistêmica da PCM e à alta frequência de acometimento pulmonar (mesmo assintomático), a avaliação radiológica do tórax é fundamental para o estadiamento da doença e para guiar o tratamento. O tratamento é prolongado, geralmente com itraconazol, sulfametoxazol-trimetoprim ou anfotericina B para casos graves, visando a cura e a prevenção de sequelas.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais manifestações clínicas da Paracoccidioidomicose?

A Paracoccidioidomicose pode apresentar lesões mucocutâneas (boca, nariz, pele), pulmonares (tosse, dispneia), linfonodais (linfonodomegalia) e, menos frequentemente, acometimento de adrenais, ossos e sistema nervoso central.

Por que o raio-X de tórax é imperativo na suspeita de Paracoccidioidomicose?

O acometimento pulmonar é a forma mais comum da Paracoccidioidomicose, presente em quase todos os pacientes, mesmo que assintomáticos. O raio-X de tórax é crucial para avaliar a extensão da doença e guiar o tratamento, que deve ser sistêmico.

Quais são os fatores de risco para Paracoccidioidomicose?

Os principais fatores de risco incluem residência em zona rural, contato com solo e vegetação (agricultores), sexo masculino (devido à proteção estrogênica nas mulheres), tabagismo e etilismo, que podem comprometer a imunidade local.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo