USP/Ribeirão Preto - Exame Revalida — Prova 2019
Homem de 55 anos, natural e procedente de Ponta Grossa (PR), trabalhador rural, iniciou há 5 semanas quadro de tosse seca, astenia e emagrecimento, com perda de 4kg no período. Relata ainda surgimento de lesão em úlcero-vegetante em cavidade oral há três semanas, que vem lentamente aumentando de tamanho. Tabagista (1 maço por dia há 35 anos), nega etilismo. Ao exame, apresenta-se emagrecido, com ausculta pulmonar normal. Traz radiografia de tórax realizada em outro serviço, que revela infiltrado interstício-alveolar peri-hilar bilateral (padrão em asa de borboleta)a. Descreva sua principal hipótese diagnóstica e pelo menos um diagnóstico diferencialb. Cite a forma clínica do caso em questão, considerando a principal hipótese diagnósticac. Cite dois espécimes que poderiam ser coletados para diagnóstico etiológico nesse caso, mencionando o exame a ser realizado
Rural + Lesão oral moriforme + Infiltrado peri-hilar bilateral = Paracoccidioidomicose.
A Paracoccidioidomicose (PCM) é a principal micose sistêmica no Brasil, caracterizada na forma crônica por lesões ulceradas em mucosas e comprometimento pulmonar intersticial bilateral simétrico.
A Paracoccidioidomicose é uma doença negligenciada de grande relevância epidemiológica na América Latina, especialmente no Brasil. O fungo dimórfico Paracoccidioides brasiliensis é inalado e pode permanecer latente por anos. A reativação ocorre tipicamente em homens adultos expostos a atividades agrícolas. Clinicamente, a tríade de emagrecimento, tosse e lesões em mucosa oral (pontilhados hemorrágicos conhecidos como estomatite moriforme de Aguiar-Pupo) é altamente sugestiva. Radiologicamente, o padrão 'em asa de borboleta' (infiltrado peri-hilar simétrico que poupa as bases e ápices) é clássico, embora não patognomônico. O tratamento de escolha para casos leves a moderados é o Itraconazol, enquanto casos graves podem exigir Anfotericina B ou a associação Sulfametoxazol-Trimetoprima por tempo prolongado.
A principal hipótese diagnóstica é a Paracoccidioidomicose (PCM), especificamente na sua forma crônica (tipo adulto). Os diagnósticos diferenciais mais importantes incluem a Tuberculose (que frequentemente coexiste com a PCM), a Histoplasmose sistêmica, a Leishmaniose mucocutânea (devido às lesões orais) e o Carcinoma Espinocelular de cavidade oral, especialmente considerando o histórico de tabagismo do paciente.
O caso descreve a Forma Crônica (ou tipo adulto) da Paracoccidioidomicose. Esta forma acomete preferencialmente homens, entre 30 e 60 anos, geralmente trabalhadores rurais ou com exposição prévia a solo contaminado. Caracteriza-se por uma progressão lenta (semanas a meses) e envolvimento multifocal, predominantemente pulmonar e mucocutâneo (estomatite moriforme), diferindo da forma aguda/subaguda (tipo juvenil) que afeta mais o sistema reticuloendotelial.
Para o diagnóstico etiológico da PCM, podem ser coletados espécimes como escarro, raspado da lesão oral ou biópsia da mucosa. O exame principal é o Exame Direto (a fresco ou com KOH), onde se busca visualizar o fungo Paracoccidioides brasiliensis com sua morfologia característica de 'roda de leme' ou 'orelha de Mickey' (células multigemulantes). Outras opções incluem a cultura em meio ágar-sabouraud e exames histopatológicos com colorações especiais como Grocott ou PAS.
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