UFES/HUCAM - Hospital Universitário Cassiano Antônio Moraes - Vitória (ES) — Prova 2025
Paciente 54 anos, tabagista, trabalhador rural, com quadro de dispneia, emagrecimento e tosse seca há 4 meses. Radiografia de tórax evidencia envolvimento pulmonar bilateral, para-hilar e simétrico, predomínio de lesões alveolares, poupando ápices e terços inferiores (imagem de “asa de borboleta”). Em relação ao caso, assinale a alternativa correta:
Infiltrado em 'asa de borboleta' + trabalhador rural → Pensar em Paracoccidioidomicose; diagnóstico via micológico direto.
A Paracoccidioidomicose (PCM) é uma micose sistêmica endêmica que frequentemente mimetiza a tuberculose. O padrão radiológico clássico é o infiltrado bilateral simétrico que poupa ápices e bases.
A Paracoccidioidomicose (PCM) é a principal micose sistêmica na América Latina, causada pelo fungo dimórfico Paracoccidioides brasiliensis. Afeta predominantemente homens, trabalhadores rurais, devido à inalação de propágulos do solo. A forma crônica do adulto é a mais comum, apresentando-se com tosse, dispneia e emagrecimento, muitas vezes confundida com tuberculose ou neoplasia.\n\nO diagnóstico definitivo requer a visualização do fungo. O exame de escarro (micológico direto) é uma ferramenta simples e de baixo custo com alta sensibilidade neste cenário. É fundamental descartar coinfecções, já que PCM e Tuberculose podem coexistir em até 10% dos casos. O acometimento da suprarrenal é comum na PCM (até 50% dos casos em necropsias), podendo levar à insuficiência adrenal, ao contrário do que sugere o senso comum.
O achado clássico no exame micológico direto ou histopatologia é a presença de leveduras multigemulantes, com brotamentos múltiplos ao redor de uma célula-mãe, conferindo o aspecto de 'roda de leme' ou 'orelha de Mickey'.
Embora ambas causem infiltrados e cavitações, a PCM classicamente apresenta lesões bilaterais, simétricas e para-hilares (asa de borboleta), frequentemente poupando os ápices pulmonares. A tuberculose pós-primária tem predileção marcante pelos ápices e segmentos posteriores dos lobos superiores.
Para formas leves a moderadas, o Itraconazol é a droga de escolha. Em casos graves ou com má absorção, utiliza-se a Anfotericina B. O tratamento é prolongado, geralmente durando de 9 a 18 meses, dependendo da resposta clínica e sorológica.
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