Paracoccidioidomicose: Diagnóstico e Manifestações Clínicas

HFASP - Hospital de Força Aérea de São Paulo — Prova 2021

Enunciado

A paracoccidioidomicose é uma micose sistêmica originalmente descrita por Adolfo Lutz em 1908, autóctone da América Latina, sendo a maior incidência registrada em países da América do Sul (Brasil, Argentina, Colômbia e Venezuela). No Brasil, a maioria dos casos tem sido relatada nas regiões sul, sudeste e centro-oeste. A paracoccidioidomicose tem caráter endêmico entre as populações da zona-rural, acometendo os indivíduos do sexo masculino, na faixa etária produtiva da vida (30-60 anos) e está relacionada às atividades agrícolas. Com base no texto, analise as afirmações abaixo: 1.A paracoccidioidomicose geralmente é assintomática e não causa manifestações clínicas, entretanto quando casa doença, ela pode se apresentar de duas formas principais: a aguda-subaguda e a crônica. 2. A confirmação diagnóstica é feita a partir da identificação do agente etiológico, Paracocciodioides brasiliensis, por meio de cultura. 3. A manifestação clínica de linfadenomegalia é mais prevalente em adultos jovens. 4. As lesões de mucosas são ulcerativas ou nodulares, geralmente nas narinas anteriores, na cavidade oral e na laringe, podendo levar a disfonia e estenose de vias aéreas, enquanto as lesões cutâneas estão geralmente na face e podem ser papulares, nodulares, ulcerativas ou em forma de placa. Estão corretas as afirmativas:

Alternativas

  1. A) 1, 2 e 3
  2. B) 2, 3 e 4
  3. C) 1, 3 e 4
  4. D) 1, 2 e 4

Pérola Clínica

Paracoccidioidomicose: micose sistêmica rural, acomete homens 30-60 anos. Linfadenomegalia mais comum em jovens. Lesões mucocutâneas são características.

Resumo-Chave

A paracoccidioidomicose é uma micose sistêmica endêmica da América Latina, com alta incidência no Brasil, afetando principalmente homens adultos da zona rural. Embora muitas infecções sejam assintomáticas, a doença pode se manifestar nas formas aguda-subaguda (mais comum em jovens, com linfadenomegalia) e crônica (em adultos, com lesões mucocutâneas e pulmonares). O diagnóstico definitivo é pela identificação do fungo.

Contexto Educacional

A paracoccidioidomicose (PCM) é a micose sistêmica mais prevalente na América Latina, com alta endemicidade no Brasil, especialmente em regiões rurais. Causada pelo fungo dimórfico Paracoccidioides brasiliensis, a infecção ocorre por inalação de conídios presentes no solo. A doença afeta predominantemente homens adultos em idade produtiva (30-60 anos) envolvidos em atividades agrícolas, embora a forma aguda-subaguda seja mais comum em jovens e crianças. A fisiopatologia envolve a inalação do fungo, que se transforma em levedura nos pulmões, podendo disseminar-se por via linfática e hematogênica. A maioria das infecções é assintomática, mas quando a doença se manifesta, pode ser na forma aguda-subaguda (com linfadenomegalia generalizada, hepatoesplenomegalia e lesões cutâneas) ou crônica (com envolvimento pulmonar, lesões mucocutâneas e viscerais). O diagnóstico é crucial e se baseia na identificação do fungo por exame direto, cultura ou histopatologia, complementado por sorologia. O tratamento da PCM é prolongado, geralmente com antifúngicos como itraconazol, sulfametoxazol-trimetoprim ou anfotericina B para casos graves. A escolha e duração dependem da forma clínica e gravidade da doença. O prognóstico é bom com tratamento adequado, mas sequelas podem ocorrer, especialmente em casos de doença avançada ou diagnóstico tardio. Residentes devem estar atentos à epidemiologia e às diversas manifestações clínicas para um diagnóstico precoce e manejo eficaz, considerando a importância da doença em nosso meio.

Perguntas Frequentes

Quais são as principais formas clínicas da paracoccidioidomicose?

A paracoccidioidomicose pode se apresentar em duas formas principais: a aguda-subaguda (ou juvenil), que afeta principalmente crianças e adultos jovens com linfadenomegalia e envolvimento reticuloendotelial, e a crônica (ou do tipo adulto), que acomete adultos e se manifesta com lesões pulmonares, mucocutâneas e viscerais.

Como é feito o diagnóstico laboratorial da paracoccidioidomicose?

O diagnóstico definitivo da paracoccidioidomicose é feito pela identificação do agente etiológico, Paracoccidioides brasiliensis, em amostras clínicas (escarro, biópsias, aspirados) por exame direto, cultura em meios específicos ou histopatologia. Testes sorológicos também podem auxiliar no diagnóstico e acompanhamento.

Quais são as características das lesões mucosas e cutâneas na paracoccidioidomicose?

As lesões mucosas são frequentemente ulcerativas ou nodulares, localizadas na cavidade oral, narinas e laringe, podendo causar disfonia e estenose. As lesões cutâneas são polimórficas (papulares, nodulares, ulcerativas, em placa) e comumente encontradas na face, tronco e membros, sendo um sinal importante da doença.

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