UFMT/HUJM - Hospital Universitário Júlio Müller - Cuiabá (MT) — Prova 2015
Paciente masculino de 55 anos de idade, trabalhador em lavoura desde sua infância, nascido no interior da Bahia e procedente de Alta Floresta-MT, onde mora desde os 16 anos de idade, relata que há 6 meses está evoluindo com lesão em boca com dor progressiva. Associado ao quadro, está com hiporexia e odinofagia decorrente da lesão. Tinha 70 kg antes do quadro e agora 56 kg. Relata ter tido alguns episódios de febre não termometrada nesse período. Tem antecedentes de tabagismo de cigarro de papel de 80 maços/ano desde os 15 anos de idade e etilismo de 200 ml de bebida destilada ao dia desde os 18 anos de idade. Relata que foi colecistectomizado há 15 anos por causa de cálculo e fez nefrectomia total à direita há 8 anos por adenocarcinoma renal com lesão de 2 cm de diâmetro. Está em uso de captopril para hipertensão arterial e nega diabetes mellitus. Ao exame físico, está em regular estado geral, fácies atípica, com FC: 84 bpm, FR: 28 irpm. PA: 110/70 e afebril. Não havia alterações ao exame cardíaco e abdominal. No exame da boca, observou-se extensa lesão em gengiva superior com aspecto infiltrativo e granuloso e com petéquias no local estendendo por toda superfície gengival (figura) e outra área infiltrativa em palato mole de 2 cm de diâmetro com as mesmas características. O exame respiratório mostrou um aumento do diâmetro anteroposterior e diminuição global do murmúrio vesicular. Não havia ruídos adventícios. Realizada radiografia de tórax (figura) e biópsia da lesão oral que foi encaminhada para estudo patológico e microbiológico (figura) (VER IMAGEM). Sobre esse caso, assinale a afirmativa correta.
Lesão oral granulosa + perda peso + febre + história rural + RX tórax alterado → suspeitar Paracoccidioidomicose. Tratamento: SMX-TMP.
O quadro clínico (lesões orais granulomatosas, perda de peso, febre, história de exposição rural) e o tratamento com sulfametoxazol-trimetoprim (SMX-TMP) são altamente sugestivos de Paracoccidioidomicose, uma micose sistêmica endêmica no Brasil, especialmente em trabalhadores rurais.
A Paracoccidioidomicose (PCM), também conhecida como blastomicose sul-americana, é uma micose sistêmica causada pelo fungo dimórfico Paracoccidioides brasiliensis. É uma doença endêmica em regiões rurais da América Latina, com alta prevalência no Brasil. A transmissão ocorre pela inalação de conídios presentes no solo, afetando principalmente trabalhadores rurais do sexo masculino. O quadro clínico é polimórfico, podendo variar de formas assintomáticas a doença disseminada grave. As manifestações clínicas mais comuns incluem lesões mucocutâneas (especialmente na boca, faringe e laringe, com aspecto granuloso, infiltrativo e por vezes hemorrágico), linfadenopatia, e envolvimento pulmonar (com padrão radiológico variável, simulando tuberculose ou neoplasia). Sintomas sistêmicos como febre, perda de peso e hiporexia são frequentes. O diagnóstico é feito pela identificação do fungo em amostras clínicas (escarro, biópsia de lesões) ou por sorologia. O tratamento da PCM depende da gravidade da doença. Para formas leves a moderadas, o sulfametoxazol-trimetoprim (SMX-TMP) é a droga de escolha, administrado por longos períodos (meses a anos). Em casos graves ou disseminados, antifúngicos como anfotericina B ou itraconazol podem ser utilizados inicialmente, seguidos por SMX-TMP ou itraconazol para manutenção. O caso descrito, com lesões orais granulomatosas, perda ponderal, febre e histórico epidemiológico, é altamente sugestivo de PCM.
A Paracoccidioidomicose pode apresentar lesões mucocutâneas (especialmente orais e nasais com aspecto granuloso ou "em morula"), linfadenopatia, lesões pulmonares (simulando tuberculose), e envolvimento de outros órgãos como adrenais e sistema nervoso central.
O sulfametoxazol-trimetoprim (SMX-TMP) é um antifúngico eficaz contra o Paracoccidioides brasiliensis, sendo a droga de escolha para formas leves a moderadas da doença, com boa penetração tecidual e tolerabilidade.
A Paracoccidioidomicose é uma micose sistêmica endêmica na América Latina, especialmente no Brasil. Afeta principalmente homens adultos, trabalhadores rurais, que têm contato com o solo e inalam os conídios do fungo.
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