Paracoccidioidomicose: Diagnóstico em Agricultores

FMP/UNIFASE - Faculdade de Medicina de Petrópolis (RJ) — Prova 2020

Enunciado

Paciente masculino, 42 anos, pardo, agricultor, natural e residente na área rural de Ubá (MG). Trazido, para atendimento ambulatorial, por uma tia moradora de Petrópolis, que ̈assustou-se ̈ com o emagrecimento do sobrinho (13 kg em 2 meses). O paciente relata que, por causa de “feridas” que apareceram em sua boca – nos últimos 3 meses-, estava com dificuldade de se alimentar; informa, também, que notou “caroços no peito”, recentemente. Ao exame físico: hipocorado (2+), prostrado, placas eritemato ulceradas, com pontilhado finamente hemorrágico, no lábio inferior, à esquerda (com 1,2 cm) e mucosa jugal, à direita (com 1,0 cm) e lesões pápulo tuberosas (algumas ulceradas) no tronco e fronte. Adenomegalia cervical visível e palpável. AR: MV diminuído em bases. ACV: sopro sistólico pancardíaco. Abdome: fígado palpável a 4 cm do rebordo costal. Edema mole nos membros inferiores (2+). A etiologia mais provável neste caso é:

Alternativas

  1. A) Mucormicose
  2. B) Paracoccidioidomicose
  3. C) Aspergilose
  4. D) Histoplasmose

Pérola Clínica

Agricultor + lesões mucocutâneas (boca) + lesões cutâneas + adenomegalia + acometimento sistêmico → Paracoccidioidomicose.

Resumo-Chave

A paracoccidioidomicose é uma micose sistêmica endêmica em áreas rurais da América Latina, comum em agricultores. Manifesta-se com lesões mucocutâneas (especialmente orais), pulmonares, linfonodais e viscerais, com emagrecimento e prostração.

Contexto Educacional

A paracoccidioidomicose, também conhecida como doença de Lutz-Splendore-Almeida, é uma micose sistêmica causada pelo fungo dimórfico Paracoccidioides brasiliensis. É uma doença endêmica na América Latina, com alta prevalência no Brasil, e afeta predominantemente homens adultos que vivem ou trabalham em áreas rurais, devido à inalação de conídios presentes no solo. O quadro clínico é polimórfico, mas classicamente envolve lesões mucocutâneas (especialmente na orofaringe, com aspecto moriforme), lesões cutâneas (pápulas, nódulos, úlceras), linfadenopatias (principalmente cervicais), e acometimento pulmonar, que pode ser assintomático ou manifestar-se como tosse e dispneia. O envolvimento de outros órgãos como fígado, baço e adrenais também é comum, levando a sintomas sistêmicos como emagrecimento e prostração. O diagnóstico é feito pela identificação do fungo em exames diretos ou cultura de material clínico. O tratamento é prolongado, geralmente com antifúngicos como itraconazol, sulfametoxazol-trimetoprim ou anfotericina B para casos graves. A suspeita clínica em pacientes com perfil epidemiológico e manifestações compatíveis é crucial para o diagnóstico e tratamento precoces, evitando sequelas graves.

Perguntas Frequentes

Quais são as manifestações clínicas mais comuns da paracoccidioidomicose?

A paracoccidioidomicose pode apresentar-se com lesões mucocutâneas (principalmente orais, como estomatite moriforme), lesões cutâneas (pápulas, nódulos, úlceras), adenomegalia (cervical, axilar), acometimento pulmonar (tosse, dispneia), e envolvimento de outros órgãos como fígado, baço e adrenais.

Qual o perfil epidemiológico típico de um paciente com paracoccidioidomicose?

Tipicamente, a doença afeta homens adultos (30-60 anos) que trabalham em atividades agrícolas ou em contato com o solo em áreas rurais endêmicas da América Latina, devido à inalação de esporos do fungo Paracoccidioides brasiliensis.

Como é feito o diagnóstico laboratorial da paracoccidioidomicose?

O diagnóstico é confirmado pela identificação do fungo Paracoccidioides brasiliensis em amostras clínicas (escarro, biópsia de lesões, lavado broncoalveolar) por exame micológico direto (células leveduriformes multigemulantes em 'roda de leme') ou cultura. Testes sorológicos também podem auxiliar.

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