CEREM - Comissão Estadual de Residência Médica de Alagoas — Prova 2021
Homem, 45 anos de idade, morador de zona rural, procurou atendimento médico por queixa de úlcera dolorosa em dorso do pé esquerdo há seis meses. No interrogatório sistemático, queixou-se também de astenia e tosse seca. Tabagista de 25 anos/maço, sem outras comorbidades. Ao exame físico, regular estado geral, afebril. Apresentava úlcera com 20mm de diâmetro, com bordas elevadas, eritematosas e fundo com pontilhado hemático. Realizada biópsia da lesão, evidenciou processo granulomatoso, com presença de células leveduriformes com brotamento em roda de leme. Radiografia de tórax com infiltrado retículo-nodular difuso. Paciente perdeu seguimento e, três meses depois, voltou a procurar atendimento médico com quadro de hipotensão, apresentando exames laboratoriais com Na 119mEq/L e K 6,1mEq/L, necessitando de internação hospitalar.Diante do caso, Indique a hipótese diagnóstica principal diante da complicação apresentada posteriormente.
Paracoccidioidomicose disseminada pode causar insuficiência adrenal (Addison) com hiponatremia e hipercalemia.
O quadro inicial de úlcera cutânea, tosse seca e infiltrado pulmonar, associado à biópsia com "células leveduriformes com brotamento em roda de leme", é altamente sugestivo de Paracoccidioidomicose. A complicação posterior de hipotensão, hiponatremia e hipercalemia, em um paciente com micose sistêmica, aponta para insuficiência adrenal (Doença de Addison) devido à destruição das glândulas adrenais pela infecção fúngica.
A paracoccidioidomicose é uma micose sistêmica endêmica na América Latina, causada pelo fungo Paracoccidioides brasiliensis ou P. lutzii. Afeta principalmente homens adultos de zonas rurais, com manifestações clínicas variadas que incluem lesões cutâneas, pulmonares, mucosas e linfonodais. A biópsia com "células leveduriformes com brotamento em roda de leme" é patognomônica, e a doença representa um importante problema de saúde pública. A fisiopatologia da insuficiência adrenal na paracoccidioidomicose ocorre pela destruição granulomatosa do córtex adrenal pelo fungo. A perda da função adrenal resulta em deficiência de cortisol e aldosterona. Clinicamente, isso se manifesta como hipotensão, astenia, náuseas, vômitos, e distúrbios eletrolíticos como hiponatremia e hipercalemia, configurando o quadro de Doença de Addison. A suspeita deve surgir em pacientes com micose sistêmica e sintomas de insuficiência adrenal. O tratamento da paracoccidioidomicose envolve antifúngicos como itraconazol ou sulfametoxazol-trimetoprim. Em casos de Doença de Addison secundária à micose, a reposição hormonal com glicocorticoides (hidrocortisona) e mineralocorticoides (fludrocortisona) é essencial e deve ser iniciada prontamente, especialmente em situações de crise adrenal. O prognóstico depende do diagnóstico precoce e do manejo adequado de ambas as condições.
A paracoccidioidomicose disseminada pode apresentar lesões cutâneas e mucosas (úlceras), linfadenopatia, hepatoesplenomegalia, e envolvimento pulmonar com tosse e infiltrados. Em casos graves, pode afetar órgãos como as adrenais, causando insuficiência.
A paracoccidioidomicose é uma infecção fúngica sistêmica que pode infiltrar e destruir o córtex das glândulas adrenais, levando à insuficiência adrenal primária. Essa destruição impede a produção adequada de cortisol e aldosterona, resultando nos sintomas da Doença de Addison.
A Doença de Addison é sugerida por hiponatremia, hipercalemia, hipoglicemia e acidose metabólica. A confirmação diagnóstica envolve a dosagem de cortisol basal e após estímulo com ACTH (teste de Synacthen), além de níveis elevados de ACTH.
Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.
Responder questão no MedEvo