Paracoccidioidomicose: Diagnóstico em Trabalhadores Rurais

HAC - Hospital Angelina Caron (PR) — Prova 2023

Enunciado

Paciente de 43 anos do sexo masculino, trabalhador rural, tabagista e etilista, procura unidade de saúde por queixa de tosse seca e dispneia progressivas com 8 meses de evolução. Ao exame físico apresenta-se emagrecido, com dentes em mau estado de conservação e algumas lesões ulceradas com padrão moriforme em gengivas e pálato. O exame pulmonar é normal, mas raio X revela infiltrato intersticial perihilar bilateralmente. Sua principal hipótese diagnóstica neste caso é: (INFECTOLOGIA: BASES CLÍNICAS E TRATAMENTO / REINALDO SALOMÃO - 1. ED. - RIODE JANEIRO: GUANABARA KOOGAN, 2017. - CAPÍTULO 15)

Alternativas

  1. A) Tuberculose
  2. B) Aspergilose
  3. C) Paracoccidioidomicose
  4. D) Esporotricose
  5. E) Candidíase invasiva

Pérola Clínica

Trabalhador rural + lesões orais moriformes + infiltrado pulmonar = Paracoccidioidomicose.

Resumo-Chave

A paracoccidioidomicose é uma micose sistêmica endêmica no Brasil, comum em trabalhadores rurais. A tríade de lesões orais moriformes, envolvimento pulmonar (infiltrado intersticial) e histórico de tabagismo/etilismo é altamente sugestiva, especialmente em pacientes com comprometimento do estado geral.

Contexto Educacional

A Paracoccidioidomicose, também conhecida como Doença de Lutz-Splendore-Almeida ou blastomicose sul-americana, é uma micose sistêmica granulomatosa endêmica na América Latina, com alta prevalência no Brasil. É causada pelo fungo dimórfico Paracoccidioides brasiliensis ou Paracoccidioides lutzii. A doença é de grande importância clínica devido à sua cronicidade, potencial de disseminação e morbidade, afetando principalmente trabalhadores rurais expostos ao solo contaminado. A fisiopatologia envolve a inalação de conídios do fungo, que se transformam em leveduras nos pulmões, podendo causar infecção pulmonar primária ou disseminação hematogênica para outros órgãos. O diagnóstico é suspeitado em pacientes com histórico epidemiológico relevante (trabalhador rural, tabagista, etilista) e manifestações clínicas como lesões orais (padrão moriforme), linfonodomegalia, comprometimento pulmonar (infiltrados intersticiais) e emagrecimento. O tratamento da paracoccidioidomicose geralmente envolve antifúngicos sistêmicos, como itraconazol ou sulfametoxazol-trimetoprim, por longos períodos. O prognóstico é bom com tratamento adequado, mas pode haver sequelas pulmonares ou de outros órgãos se o diagnóstico for tardio. A educação sobre os fatores de risco e a suspeita clínica são cruciais para o diagnóstico precoce e manejo eficaz.

Perguntas Frequentes

Quais são as manifestações clínicas típicas da paracoccidioidomicose?

A paracoccidioidomicose pode apresentar-se com lesões cutâneas e mucosas (especialmente orais, como as moriformes), comprometimento pulmonar (tosse, dispneia, infiltrados), linfonodomegalia e envolvimento de outros órgãos.

Qual o perfil epidemiológico dos pacientes com paracoccidioidomicose?

A doença é mais comum em homens adultos, trabalhadores rurais ou que tiveram contato com solo, especialmente tabagistas e etilistas, devido à exposição ao fungo Paracoccidioides brasiliensis.

Como é feito o diagnóstico laboratorial da paracoccidioidomicose?

O diagnóstico é confirmado pela identificação do fungo em amostras clínicas (escarro, biópsia de lesões) através de exame micológico direto ou cultura, ou por testes sorológicos como a imunodifusão.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo