Santa Casa de Araçatuba (SP) — Prova 2022
Homem de 59 anos, aposentado (trabalhador rural), tabagista, com quadro há 3 meses de tosse seca, dispneia progressiva, perda de peso, dor abdominal difusa, náuseas, vômitos e fraqueza muscular. No exame físico apresentava PA 80/40 mmHg, FC: 97 bpm, ausculta cardíaca normal, ausculta pulmonar com estertores finos difusos bilateralmente, abdome sem peritonite, extremidades com boa perfusão, sem edema, dextro: 62 mg/dL. Exames complementares com Hb 11,8 g/dL, leucócitos 6.900/mm3, plaquetas 360.000/mm³, Na: 126 mEq/L, creatinina: 1,2 mg/dL, uréia: 41 mg/dL, K: 6,0 mEq/L. Tomografia de tórax com espessamento dos septos interlobulares, áreas de atenuação em vidro fosco, áreas de enfisema e espessamento peribroncovascular, aumento do volume das adrenais. Realizada biópsia pulmonar para investigação etiológica. Assinale a correta:
Trabalhador rural + sintomas pulmonares crônicos + insuficiência adrenal + distúrbios eletrolíticos → Paracoccidioidomicose (fungo com brotamento).
A Paracoccidioidomicose, comum em trabalhadores rurais, pode apresentar-se com sintomas pulmonares crônicos e disseminação para órgãos como as adrenais, causando insuficiência adrenal com hipotensão e distúrbios hidroeletrolíticos característicos.
A Paracoccidioidomicose, também conhecida como Blastomicose Sul-Americana, é uma micose sistêmica endêmica na América Latina, causada pelo fungo dimórfico Paracoccidioides brasiliensis ou P. lutzii. É mais comum em trabalhadores rurais, devido à inalação de esporos presentes no solo. A doença pode se manifestar de forma aguda/subaguda (juvenil) ou crônica (adulto), sendo esta última a mais frequente, com acometimento pulmonar, mucocutâneo, ganglionar e visceral. O quadro clínico apresentado, com tosse seca, dispneia progressiva, perda de peso, dor abdominal difusa, náuseas, vômitos, fraqueza muscular, hipotensão, hiponatremia e hipercalemia, é altamente sugestivo de Paracoccidioidomicose com envolvimento pulmonar e adrenal. A insuficiência adrenal é uma complicação grave e relativamente comum da doença, levando aos distúrbios hidroeletrolíticos e hipotensão. A tomografia de tórax com espessamento dos septos interlobulares e áreas de vidro fosco, juntamente com o aumento do volume das adrenais, reforça a suspeita. O diagnóstico definitivo é feito pela identificação do fungo em amostras clínicas, como escarro, lavado broncoalveolar, biópsia de lesões ou cultura. No anátomo-patológico, a visualização das leveduras com brotamentos múltiplos e periféricos ('roda de leme') é patognomônica. O tratamento envolve antifúngicos como itraconazol, sulfametoxazol-trimetoprim ou anfotericina B, dependendo da gravidade e extensão da doença. O reconhecimento precoce e o tratamento adequado são cruciais para evitar complicações graves e melhorar o prognóstico.
A Paracoccidioidomicose pode apresentar-se com lesões pulmonares crônicas (tosse, dispneia), lesões mucocutâneas (oral, nasal), linfadenopatia, envolvimento adrenal (insuficiência adrenal com hipotensão, hiponatremia, hipercalemia), e lesões em outros órgãos como fígado, baço e ossos.
O envolvimento adrenal pode levar à insuficiência adrenal, manifestada por hipotensão, fraqueza muscular, dor abdominal, náuseas, vômitos, hiponatremia, hipercalemia e hipoglicemia, como visto no caso, mimetizando uma crise addisoniana.
O achado histopatológico característico é a presença de leveduras grandes, de parede espessa, com brotamentos múltiplos e periféricos, que conferem a elas a aparência de 'roda de leme' ou 'Mickey Mouse', confirmando o diagnóstico.
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