Paracoccidioidomicose: Diagnóstico e Achados no Escarro

USP/HCRP - Hospital das Clínicas de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2022

Enunciado

Homem, 42 anos, há 5 meses com tosse produtiva, febre esporádica e dispneia progressiva, atualmente aos médios esforços. Concomitantemente, apresenta lesão úlcero-vegetante, dolorosa, de crescimento progressivo, com pontilhado hemorrágico em gengiva. Antecedentes pessoais: agricultor em fazenda de café. Nega tabagismo e etilismo. Nega contato com sintomáticos respiratórios. Radiografia de tórax com infiltrado intersticial peri-hilar simétrico.Considerando a principal hipótese diagnóstica, qual é o achado mais provável no exame do escarro do paciente?

Alternativas

  1. A) Hifas septadas finas com macroconídios tuberculados e microconídios de parede lisa.
  2. B) Hifas finas de ramificação septada, com conídios em grupos em forma de margarida.
  3. C) Leveduras em brotamento rodeadas de halo transparente na coloração com nanquim.
  4. D) Leveduras grandes de parede celular birrefringente, com brotamentos em roda de leme.

Pérola Clínica

Paracoccidioidomicose: agricultor + lesão úlcero-vegetante + infiltrado pulmonar → leveduras em roda de leme no escarro.

Resumo-Chave

O quadro clínico de um agricultor com sintomas respiratórios crônicos, lesões mucocutâneas úlcero-vegetantes (especialmente em gengiva) e infiltrado pulmonar é altamente sugestivo de Paracoccidioidomicose. O achado patognomônico no escarro é a presença de leveduras grandes, com brotamentos múltiplos em "roda de leme".

Contexto Educacional

A Paracoccidioidomicose, também conhecida como doença de Lutz-Splendore-Almeida, é a micose sistêmica mais prevalente na América Latina, especialmente no Brasil. É causada pelo fungo dimórfico Paracoccidioides brasiliensis e afeta principalmente indivíduos que trabalham na agricultura, devido à inalação de conídios presentes no solo. A doença pode apresentar diversas formas clínicas, sendo as mais comuns a pulmonar (com tosse, dispneia, febre e infiltrados radiográficos) e a mucocutânea (com lesões úlcero-vegetantes, dolorosas, que podem afetar boca, orofaringe, pele e linfonodos). A combinação de sintomas respiratórios crônicos e lesões mucocutâneas em um agricultor é altamente sugestiva. O diagnóstico definitivo é feito pela identificação do fungo em amostras clínicas (escarro, biópsia de lesão, lavado broncoalveolar). O achado patognomônico é a visualização de leveduras grandes, com parede birrefringente e brotamentos múltiplos periféricos, que lembram uma "roda de leme" ou "timão de navio". O tratamento envolve antifúngicos como itraconazol ou sulfametoxazol-trimetoprim.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais fatores de risco para Paracoccidioidomicose?

Os principais fatores de risco para Paracoccidioidomicose incluem residência ou trabalho em áreas rurais (agricultores), contato com solo e vegetação, e sexo masculino, devido à exposição ao fungo Paracoccidioides brasiliensis.

Como se manifesta a Paracoccidioidomicose pulmonar?

A Paracoccidioidomicose pulmonar pode se manifestar com tosse produtiva, dispneia, febre, dor torácica e infiltrados pulmonares variados na radiografia, mimetizando outras doenças respiratórias crônicas como a tuberculose.

Qual o achado laboratorial mais característico da Paracoccidioidomicose?

O achado laboratorial mais característico da Paracoccidioidomicose é a visualização microscópica de leveduras grandes, de parede celular birrefringente, com brotamentos múltiplos e periféricos, que conferem a aparência de "roda de leme" ou "timão de navio".

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