Paracoccidioidomicose: Diagnóstico e Sinais Chave

FAMERP/HB - Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto - Hospital de Base (SP) — Prova 2025

Enunciado

Um homem de 45 anos, trabalhador rural, apresenta-se ao consultório com queixas de tosse crônica, perda de peso, febre baixa e lesões ulceradas na cavidade oral. Ao exame físico, foram observados linfonodos cervicais aumentados, dolorosos e com secreção purulenta. A radiografia de tórax revela infiltrados pulmonares bilaterais. A biópsia das lesões orais mostra presença de leveduras multinucleadas em forma de roda de leme. Com base nesses achados, qual é o diagnóstico mais provável?

Alternativas

  1. A) Tuberculose
  2. B) Histoplasmose
  3. C) Paracoccidioidomicose
  4. D) Leishmaniose mucocutânea

Pérola Clínica

Trabalhador rural + lesões orais ulceradas + linfonodos supurativos + infiltrado pulmonar + 'roda de leme' na biópsia = Paracoccidioidomicose.

Resumo-Chave

O quadro clínico de tosse crônica, perda de peso, febre baixa, lesões orais ulceradas, linfonodos cervicais supurativos e infiltrados pulmonares bilaterais em um trabalhador rural é altamente sugestivo de paracoccidioidomicose. A confirmação diagnóstica pela biópsia, que revela leveduras multinucleadas em forma de 'roda de leme', é patognomônica da infecção por Paracoccidioides brasiliensis.

Contexto Educacional

A paracoccidioidomicose (PCM), também conhecida como blastomicose sul-americana, é a micose sistêmica mais prevalente na América Latina, especialmente no Brasil. Causada pelo fungo dimórfico Paracoccidioides brasiliensis, afeta predominantemente homens adultos trabalhadores rurais, devido à exposição ocupacional ao solo contaminado. A doença pode se manifestar de forma aguda/subaguda (juvenil) ou crônica (adulto), sendo esta última a mais comum e de evolução lenta. O diagnóstico da PCM é baseado na combinação de achados clínicos, epidemiológicos e laboratoriais. Clinicamente, a forma crônica frequentemente envolve os pulmões (com infiltrados que podem mimetizar tuberculose), mucosas (lesões ulceradas dolorosas na cavidade oral, faringe, laringe), linfonodos (linfonodomegalia supurativa, com fistulização) e pele. Sintomas constitucionais como febre, perda de peso e sudorese noturna são comuns. A história de exposição rural é um dado epidemiológico importante. A confirmação diagnóstica é feita pela identificação do fungo em amostras clínicas (escarro, lavado broncoalveolar, biópsia de lesões). A característica microscópica patognomônica é a presença de leveduras grandes, multinucleadas, com brotamentos múltiplos, que lembram uma 'roda de leme' ou 'timão de navio'. O tratamento envolve antifúngicos como itraconazol, sulfametoxazol-trimetoprim ou anfotericina B, com duração prolongada para evitar recidivas.

Perguntas Frequentes

Quais são as manifestações clínicas mais comuns da paracoccidioidomicose?

A paracoccidioidomicose pode apresentar formas aguda/subaguda (juvenil) e crônica (adulto). A forma crônica, mais comum, afeta principalmente os pulmões (tosse, dispneia), pele e mucosas (lesões ulceradas orais, nasais), linfonodos (linfonodomegalia supurativa) e adrenais. Sintomas constitucionais como febre e perda de peso são frequentes.

Qual a importância da 'roda de leme' no diagnóstico da paracoccidioidomicose?

A visualização de leveduras multinucleadas com brotamentos múltiplos, que se assemelham a uma 'roda de leme' ou 'timão de navio', é um achado microscópico patognomônico da Paracoccidioides brasiliensis. Este achado em amostras clínicas (escarro, biópsia, aspirado) confirma o diagnóstico da doença.

Como a paracoccidioidomicose é transmitida e quem está em risco?

A infecção ocorre pela inalação de conídios do fungo Paracoccidioides brasiliensis, que é encontrado no solo. Trabalhadores rurais, agricultores e indivíduos que vivem ou trabalham em áreas endêmicas com contato com o solo são os mais suscetíveis à infecção.

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