UFPA/HUJBB - Hospital Universitário João de Barros Barreto - Belém (PA) — Prova 2020
Paciente masculino 50 anos, morador de zona rural desde a infância, internado devido a quadro arrastado de dispneia e mal-estar generalizado. Ao exame, nota-se escurecimento da pele, hipotensão, sonolência, microstomia e estomatite moriforme. Aos exames laboratoriais, ressalta-se: hipercalemia, hiponatremia, eosinofilia, hipoglicemia e radiografia de tórax com infiltrado pulmonar em asa de borboleta. Os diagnósticos são:
Paracoccidioidomicose + Insuficiência Adrenal → Microstomia, estomatite moriforme, infiltrado pulmonar asa de borboleta + Hipercalemia, hiponatremia, hipoglicemia, escurecimento da pele.
O quadro clínico e laboratorial aponta para dois diagnósticos concomitantes. A paracoccidioidomicose é sugerida pela epidemiologia (zona rural), microstomia, estomatite moriforme e infiltrado pulmonar em "asa de borboleta". A insuficiência adrenal primária (doença de Addison) é indicada pelo escurecimento da pele, hipotensão, sonolência, hipercalemia, hiponatremia e hipoglicemia, sendo uma complicação comum da paracoccidioidomicose.
A paracoccidioidomicose (PCM), também conhecida como doença de Lutz-Splendore-Almeida, é uma micose sistêmica endêmica na América Latina, causada pelo fungo Paracoccidioides brasiliensis ou P. lutzii. Afeta predominantemente homens adultos de zonas rurais, com exposição ocupacional. A doença pode se manifestar de forma aguda/subaguda (juvenil) ou crônica (adulto), sendo esta última a mais comum e com envolvimento pulmonar, mucocutâneo, linfático e adrenal. O quadro clínico da questão é altamente sugestivo de PCM crônica: morador de zona rural, dispneia arrastada, microstomia e estomatite moriforme (lesões em "brotamento" ou "framboesa" na mucosa oral), e infiltrado pulmonar em "asa de borboleta" na radiografia de tórax. A eosinofilia também pode estar presente na PCM. A insuficiência adrenal primária (doença de Addison) é uma complicação grave e relativamente comum da PCM, devido ao tropismo do fungo pelas glândulas adrenais. Os achados de escurecimento da pele (hiperpigmentação), hipotensão, sonolência, hipercalemia, hiponatremia e hipoglicemia são clássicos da insuficiência adrenal, confirmando o segundo diagnóstico. O reconhecimento dessa associação é vital para o manejo adequado e a sobrevida do paciente.
A paracoccidioidomicose pode apresentar lesões mucocutâneas (como estomatite moriforme, microstomia), pulmonares (infiltrados em asa de borboleta), linfonodais e adrenais.
O fungo Paracoccidioides brasiliensis tem tropismo pelas glândulas adrenais, podendo causar sua destruição e levar à insuficiência adrenal primária, ou doença de Addison.
Hipercalemia, hiponatremia, hipoglicemia e, em alguns casos, eosinofilia são achados laboratoriais que podem indicar insuficiência adrenal primária.
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