Paracoccidioidomicose: Diagnóstico e Tratamento Essencial

HE Cachoeiro - Hospital Evangélico de Cachoeiro de Itapemirim (ES) — Prova 2020

Enunciado

Homem de 45 anos se queixa de tosse produtiva com escarro claro, dispneia, perda de apetite e emagrecimento há 3 meses. Nega febre, sudorese noturna ou outras queixas. É lavrador e não está conseguindo exercer as funções por causa de fraqueza. Desconhece comorbidades e nega uso de medicamentos. É etilista e tabagista. Ao exame físico, está alerta e orientado, com mucosas hipocoradas, hidratadas e anictéricas. Está emagrecido. Palpam-se linfonodomegalias cervicais. A oroscopia revela lesão granulada no palato mole. Há roncos holorrespiratórios na ausculta pulmonar em ambos os hemitórax. Sem outras anormalidades ao exame. Foi realizada radiografia do tórax e exame do escarro. Radiografia de tórax: Exame do escarro (visualização direta): Considerando o caso descrito, assinale a alternativa que apresenta o tratamento MAIS ADEQUADO para esse paciente:

Alternativas

  1. A) Amoxicilina-clavulanato e azitromicina.
  2. B) Levofloxacino.
  3. C) Rifampicina, isoniazida, pirazinamida e etambutol.
  4. D) Sulfametoxazol-trimetoprim.

Pérola Clínica

Lavrador + tosse crônica + emagrecimento + lesão granulada palato + linfonodomegalia → Paracoccidioidomicose = SMX-TMP.

Resumo-Chave

O quadro clínico de tosse crônica, emagrecimento, linfonodomegalias e lesões granuladas em mucosas em um lavrador (exposição rural) é altamente sugestivo de Paracoccidioidomicose. O tratamento de escolha para essa micose profunda é o Sulfametoxazol-trimetoprim (SMX-TMP), especialmente nas formas leves a moderadas.

Contexto Educacional

A Paracoccidioidomicose é uma micose sistêmica endêmica na América Latina, causada pelo fungo dimórfico Paracoccidioides brasiliensis. É uma doença de importância para a saúde pública, especialmente em regiões rurais, afetando principalmente trabalhadores agrícolas. A apresentação clínica é variada, podendo envolver pulmões, mucosas, linfonodos, pele e outros órgãos. O residente deve estar atento a quadros de tosse crônica, emagrecimento, linfonodomegalias e lesões granuladas em mucosas, especialmente em pacientes com histórico de exposição rural e fatores de risco como etilismo e tabagismo. O diagnóstico é feito pela visualização do fungo em amostras clínicas (escarro, biópsia de lesões de palato mole, etc.) ou por cultura. A radiografia de tórax pode mostrar infiltrados, cavitações ou fibrose. O caso descrito, com tosse produtiva, emagrecimento, linfonodomegalias cervicais e lesão granulada no palato mole em um lavrador etilista/tabagista, é altamente sugestivo de Paracoccidioidomicose. O tratamento da Paracoccidioidomicose depende da gravidade da doença. Para as formas leves a moderadas, o Sulfametoxazol-trimetoprim (SMX-TMP) é o tratamento de escolha, com boa eficácia e tolerabilidade. Para as formas graves, antifúngicos como a anfotericina B são indicados inicialmente, seguidos por itraconazol ou SMX-TMP na fase de manutenção. O tratamento é prolongado, podendo durar meses a anos, e a adesão é crucial para evitar recidivas.

Perguntas Frequentes

Quais são os principais sintomas da Paracoccidioidomicose?

A Paracoccidioidomicose pode apresentar sintomas pulmonares (tosse, dispneia), lesões mucocutâneas (boca, nariz, pele), linfonodomegalias, perda de peso e hepatoesplenomegalia, variando conforme a forma clínica da doença.

Qual o tratamento de escolha para a Paracoccidioidomicose?

O tratamento de escolha para a Paracoccidioidomicose, especialmente nas formas leves a moderadas, é o Sulfametoxazol-trimetoprim (SMX-TMP). Para casos graves, antifúngicos como anfotericina B ou itraconazol podem ser utilizados inicialmente.

Como é feito o diagnóstico da Paracoccidioidomicose?

O diagnóstico da Paracoccidioidomicose é feito pela identificação do fungo Paracoccidioides brasiliensis em amostras clínicas (escarro, biópsia de lesões) através de exame micológico direto ou cultura, além de exames sorológicos.

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