Ascite em Cirróticos: Quando Realizar Paracentese Diagnóstica?

IDPC/Dante Pazzanese - Instituto de Cardiologia (SP) — Prova 2025

Enunciado

Homem de 52 anos de idade, com história prévia de cirrose de etiologia alcoólica, é admitido na enfermaria para investigação de quadro de aumento do volume abdominal e edema de membros inferiores progressivos nas últimas 2 semanas. Nega dor abdominal, dispneia ou outras queixas. Tem diagnóstico de cirrose há 6 meses, a qual foi descoberta durante investigação ambulatorial de queixa de ginecomastia. Nunca havia apresentado os sintomas atuais antes e não tem outros antecedentes relevantes. Além disso, relata manter uso de bebida alcoólica. Ao exame, apresenta palidez (+/4+) e icterícia (+/4). Está vigil, alerta e orientado. O exame do tórax apresenta ginecomastia. O exame do abdome evidenciou semicírculo de Skoda e manobra de piparote positivos. Tem edema de membros inferiores (2+/4+). Sem outras alterações ao exame segmentar. Qual é a conduta prioritária que deve ser tomada neste momento?

Alternativas

  1. A) Orientar restrição de água e sal na dieta.
  2. B) Iniciar furosemida e espironolactona.
  3. C) Iniciar antibioticoterapia venosa empírica.
  4. D) Realização de paracentese diagnóstica.

Pérola Clínica

Ascite em cirrótico com piora súbita → paracentese diagnóstica para excluir PBE.

Resumo-Chave

Em pacientes cirróticos com ascite, qualquer descompensação ou piora dos sintomas, como aumento súbito do volume abdominal, exige a realização de paracentese diagnóstica para descartar peritonite bacteriana espontânea (PBE), uma complicação grave e comum.

Contexto Educacional

A cirrose hepática é uma condição crônica e progressiva que leva à fibrose e disfunção hepática. A ascite, acúmulo de líquido na cavidade peritoneal, é a complicação mais comum da cirrose descompensada, afetando cerca de 50% dos pacientes em 10 anos. Sua presença indica um estágio avançado da doença e está associada a um pior prognóstico. A ascite em pacientes cirróticos pode descompensar por diversas razões, sendo a peritonite bacteriana espontânea (PBE) uma das mais graves. A PBE é uma infecção do líquido ascítico sem uma fonte intra-abdominal evidente, e sua suspeita deve ser alta em qualquer paciente cirrótico com ascite que apresente febre, dor abdominal, alteração do estado mental, ou piora inexplicada da função renal ou da ascite. O exame físico pode revelar sinais de ascite, como semicírculo de Skoda e manobra de piparote positivos. A conduta prioritária em um paciente cirrótico com ascite e sinais de descompensação é a realização de paracentese diagnóstica. Este procedimento permite a análise do líquido ascítico para contagem de células (especialmente polimorfonucleares), cultura e bioquímica, sendo crucial para o diagnóstico precoce de PBE. O tratamento da PBE envolve antibioticoterapia empírica imediata, geralmente com cefalosporinas de terceira geração, e albumina para prevenir a síndrome hepatorrenal.

Perguntas Frequentes

Quais são os sinais de descompensação da ascite em pacientes cirróticos?

Sinais de descompensação incluem aumento rápido do volume abdominal, dor abdominal, febre, alteração do estado mental, ou piora da função renal. No caso, o aumento progressivo do volume abdominal e edema são indicativos.

Por que a paracentese diagnóstica é a conduta prioritária na ascite descompensada?

A paracentese diagnóstica é prioritária para descartar peritonite bacteriana espontânea (PBE), uma infecção grave do líquido ascítico que pode ser assintomática ou apresentar sintomas inespecíficos, exigindo tratamento antibiótico imediato.

Quais são os principais achados no líquido ascítico que confirmam a PBE?

O diagnóstico de PBE é confirmado pela contagem de polimorfonucleares (PMN) no líquido ascítico ≥ 250 células/mm³, independentemente da cultura positiva.

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