FMABC - Faculdade de Medicina do ABC Paulista (SP) — Prova 2020
Na avaliação da cirrose hepática, assinale a alternativa correta
Ascite em cirrótico → sempre puncionar na 1ª avaliação para excluir PBE e determinar etiologia.
A paracentese diagnóstica é crucial na primeira apresentação de ascite em pacientes com cirrose para descartar peritonite bacteriana espontânea (PBE) e auxiliar na determinação da etiologia da ascite. A análise do líquido ascítico, incluindo contagem de neutrófilos, é fundamental para essa avaliação inicial.
A ascite é a complicação mais comum da cirrose hepática, afetando cerca de 50% dos pacientes em 10 anos. Sua presença indica um estágio avançado da doença e está associada a um pior prognóstico. A avaliação adequada da ascite é crucial para o manejo do paciente cirrótico, sendo a paracentese diagnóstica um procedimento fundamental. A fisiopatologia da ascite cirrótica envolve hipertensão portal, vasodilatação esplâncnica e ativação do sistema renina-angiotensina-aldosterona, levando à retenção de sódio e água. A principal complicação da ascite é a peritonite bacteriana espontânea (PBE), uma infecção grave do líquido ascítico sem foco cirúrgico. O diagnóstico precoce da PBE é vital, pois a mortalidade é alta se não tratada prontamente. A conduta correta, conforme o gabarito, enfatiza a punção diagnóstica rotineira na primeira avaliação do paciente com ascite. Isso permite identificar a etiologia da ascite (p. ex., por gradiente albumina soro-ascite - GASA) e, mais importante, descartar ou diagnosticar PBE, que requer tratamento antibiótico imediato. O tratamento da ascite envolve restrição de sódio, diuréticos e, em casos refratários, paracentese de grande volume ou TIPS.
A paracentese diagnóstica é indicada em todos os pacientes com ascite de início recente, em qualquer paciente com ascite que seja hospitalizado, e sempre que houver suspeita de peritonite bacteriana espontânea (PBE).
O diagnóstico de PBE é estabelecido pela contagem de neutrófilos no líquido ascítico ≥ 250 células/mm³, na ausência de uma fonte intra-abdominal de infecção cirúrgica. Sintomas como febre, dor abdominal ou encefalopatia podem estar presentes, mas não são obrigatórios.
A análise do líquido ascítico deve incluir contagem de células com diferencial, cultura bacteriana (em frascos de hemocultura), proteínas totais, albumina e glicose. A dosagem de DHL e amilase pode ser útil em casos específicos.
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