CBO Teórico-Prática - Prova de Imagens da Oftalmologia — Prova 2014
Paciente apresenta pressão intraocular de 16mmHg em ambos os olhos; usa, regularmente, análogo de prostaglandina, uma vez ao dia. Apresenta paquimetria de 460μm e -6,50 dioptrias de miopia em ambos os olhos. Nega qualquer doença sistêmica. Nega floaters ou fotopsias. Seguem exames relacionados abaixo. Assinale a alternativa correta.
Córnea fina (<555µm) subestima a PIO real e é fator de risco independente para progressão de glaucoma.
A paquimetria de 460µm indica uma córnea muito fina, o que significa que a PIO medida de 16mmHg é, na verdade, maior do que a real, exigindo tratamento mais agressivo.
O manejo do glaucoma exige uma análise multifatorial. O Ocular Hypertension Treatment Study (OHTS) demonstrou que a espessura corneana central é um dos preditores mais fortes para a conversão de hipertensão ocular em glaucoma. No caso clínico, a combinação de córnea muito fina, miopia significativa e uso de medicação sugere que a pressão 'alvo' pode não ter sido atingida, justificando a consideração de redução pressórica adicional para prevenir a progressão do dano glaucomatoso.
A tonometria de aplanação de Goldmann, o padrão-ouro, foi calibrada para córneas com espessura média de aproximadamente 520 a 550 µm. Córneas mais espessas oferecem maior resistência à deformação, gerando leituras artificialmente elevadas da PIO. Inversamente, córneas finas (como a de 460 µm do caso) oferecem menor resistência, resultando em leituras de PIO artificialmente baixas. Portanto, uma PIO de 16 mmHg em uma córnea fina representa um risco maior do que o valor absoluto sugere.
A miopia, especialmente a alta miopia (acima de -6,00 dioptrias), é um fator de risco estabelecido para o desenvolvimento e progressão do glaucoma de ângulo aberto. Olhos míopes apresentam alterações estruturais na esclera e na lâmina crivosa que podem tornar o nervo óptico mais suscetível ao dano pressórico. Além disso, o disco óptico míope pode apresentar inclinação e atrofia peripapilar, o que dificulta a avaliação clínica e diagnóstica precoce.
O VFI é um índice global que expressa a porcentagem da função visual total do paciente, ponderando mais as áreas centrais do campo visual. Embora um VFI de 97% indique uma função visual global preservada, ele não afasta o diagnóstico de glaucoma, pois danos iniciais ou periféricos podem não reduzir drasticamente este índice. O diagnóstico de glaucoma baseia-se na correlação entre dano estrutural (disco óptico/camada de fibras nervosas) e funcional (campo visual), independentemente do VFI inicial.
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