CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2016
Qual dos exames abaixo, isoladamente, pode ser considerado o melhor indicador da função do endotélio da córnea?
Paquimetria ↑ → Falência da bomba endotelial e edema estromal corneano.
A paquimetria mede a espessura corneana; como o endotélio é responsável por manter a desidratação do estroma, o aumento da espessura é o indicador funcional mais direto de sua falência.
O endotélio corneano é uma camada única de células hexagonais que não se regeneram. Sua principal função é manter o estado de detumescência (desidratação relativa) da córnea, essencial para a transparência óptica. A falência endotelial leva ao edema estromal, que clinicamente se manifesta como perda de visão e aumento da espessura corneana. Na prática clínica, a paquimetria ultrassônica ou óptica é a ferramenta mais acessível para monitorar essa função. Um aumento progressivo na espessura central da córnea em exames seriados é um sinal de alerta para descompensação iminente, sendo superior à simples contagem celular da microscopia especular para definir o momento de intervenções como o transplante de córnea (DSAEK ou DMEK).
O endotélio corneano possui bombas metabólicas (Na+/K+ ATPase) que retiram água do estroma para manter a transparência ocular. Quando essas bombas falham ou a densidade celular cai abaixo de um nível crítico, a córnea acumula líquido e aumenta de espessura. Portanto, a paquimetria, ao medir a espessura corneana central, fornece uma medida indireta, porém altamente fidedigna, da eficácia funcional desse mecanismo de bombeamento endotelial. Valores acima do padrão (geralmente >540-560 µm) em pacientes sem outras causas de espessamento sugerem disfunção endotelial.
A microscopia especular realiza a contagem do número de células endoteliais por milímetro quadrado e avalia a morfologia celular (pleomorfismo e polimegatismo). Embora forneça dados estruturais importantes, uma contagem celular baixa não significa necessariamente que a córnea está descompensada, pois as células remanescentes podem aumentar de tamanho para manter a função. Já a paquimetria avalia o resultado final dessa função: se a córnea está com espessura normal, o endotélio está funcionando; se está espessa (edema), a função está comprometida.
A paquimetria é essencial no acompanhamento de distrofias endoteliais (como a Distrofia de Fuchs), na avaliação pré-operatória de cirurgias refrativas (para garantir que haverá estroma residual seguro), no manejo do glaucoma (pois a espessura da córnea influencia a medida da pressão intraocular) e na avaliação de suspeita de edema corneano pós-cirúrgico, como na ceratopatia bolhosa após extração de catarata.
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