Papiloma Intraducto: Diagnóstico e Conduta na Mastologia

Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2026

Enunciado

Mulher com 49 anos teve diagnóstico de papiloma intraducto. Em relação a essa doença, é correto afirmar:

Alternativas

  1. A) Esse achado não tem nenhuma correlação com maior exposição ao estrogênio ao longo da vida, seja por menarca precoce, menopausa tardia ou ser nuligesta.
  2. B) As mulheres mais jovens tendem a ter papilomas solitários e as mais idosas, múltiplos.
  3. C) Quando há história de câncer na família, os papilomas e mesmo os tumores benignos são mais frequentes.
  4. D) O tratamento é clínico em 60% das vezes.
  5. E) Não se faz biópsia excisional nesses casos.

Pérola Clínica

Descarga papilar unilateral, espontânea e serossanguinolenta → Papiloma Intraducto (exérese ductal indicada).

Resumo-Chave

O papiloma intraducto é a principal causa de descarga papilar patológica. Embora benigno, requer exérese cirúrgica para excluir atipias ou carcinomas adjacentes não detectados na biópsia por agulha.

Contexto Educacional

O papiloma intraducto é uma neoplasia benigna dos ductos mamários, caracterizada por um eixo fibrovascular revestido por células epiteliais e mioepiteliais. A preservação da camada mioepitelial é o que o diferencia histologicamente do carcinoma papilar. Clinicamente, manifesta-se como descarga papilar patológica, sendo a causa mais comum desta queixa no consultório de mastologia. Na prática clínica, a distinção entre lesões centrais e periféricas é crucial. Lesões periféricas (papilomatose) frequentemente não causam descarga papilar e são achados incidentais em exames de imagem, mas carregam um risco relativo de câncer de mama de aproximadamente 3.0. O tratamento definitivo envolve a micrododectomia (exérese do ducto terminal) ou a cirurgia de Adair, permitindo o diagnóstico histopatológico completo e a cessação do sintoma.

Perguntas Frequentes

Qual a principal diferença entre papiloma solitário e múltiplo?

O papiloma solitário é geralmente central (subareolar), acomete mulheres em torno dos 40-50 anos e apresenta baixo risco de malignização. Já os papilomas múltiplos são periféricos, ocorrem em mulheres mais jovens e estão associados a um risco significativamente maior de desenvolvimento de carcinoma invasor em ambos os seios, exigindo vigilância rigorosa e, muitas vezes, margens cirúrgicas mais amplas.

Por que a biópsia excisional é recomendada mesmo após Core Biopsy benigna?

A biópsia por agulha grossa (Core Biopsy) pode subestimar a lesão (underestimation rate). Cerca de 15-20% dos casos diagnosticados como papiloma benigno na core biopsy revelam atipias ou carcinoma ductal in situ (CDIS) na peça cirúrgica final. Portanto, a exérese do ducto acometido é o padrão-ouro para garantir a exclusão de malignidade oculta.

Como é feita a investigação diagnóstica inicial da descarga papilar?

A investigação começa com a caracterização do fluxo (espontâneo, unilateral, uniductal e serossanguinolento são sinais de alerta). Exames de imagem como ultrassonografia e mamografia são realizados, seguidos por citologia do líquido (baixa sensibilidade) ou, preferencialmente, ductografia ou ressonância magnética para localizar a lesão intraductal antes da intervenção cirúrgica.

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