Santa Casa de Ribeirão Preto (SP) — Prova 2026
Mulher com 49 anos teve diagnóstico de papiloma intraducto. Em relação a essa doença, é correto afirmar:
Descarga papilar unilateral, espontânea e serossanguinolenta → Papiloma Intraducto (exérese ductal indicada).
O papiloma intraducto é a principal causa de descarga papilar patológica. Embora benigno, requer exérese cirúrgica para excluir atipias ou carcinomas adjacentes não detectados na biópsia por agulha.
O papiloma intraducto é uma neoplasia benigna dos ductos mamários, caracterizada por um eixo fibrovascular revestido por células epiteliais e mioepiteliais. A preservação da camada mioepitelial é o que o diferencia histologicamente do carcinoma papilar. Clinicamente, manifesta-se como descarga papilar patológica, sendo a causa mais comum desta queixa no consultório de mastologia. Na prática clínica, a distinção entre lesões centrais e periféricas é crucial. Lesões periféricas (papilomatose) frequentemente não causam descarga papilar e são achados incidentais em exames de imagem, mas carregam um risco relativo de câncer de mama de aproximadamente 3.0. O tratamento definitivo envolve a micrododectomia (exérese do ducto terminal) ou a cirurgia de Adair, permitindo o diagnóstico histopatológico completo e a cessação do sintoma.
O papiloma solitário é geralmente central (subareolar), acomete mulheres em torno dos 40-50 anos e apresenta baixo risco de malignização. Já os papilomas múltiplos são periféricos, ocorrem em mulheres mais jovens e estão associados a um risco significativamente maior de desenvolvimento de carcinoma invasor em ambos os seios, exigindo vigilância rigorosa e, muitas vezes, margens cirúrgicas mais amplas.
A biópsia por agulha grossa (Core Biopsy) pode subestimar a lesão (underestimation rate). Cerca de 15-20% dos casos diagnosticados como papiloma benigno na core biopsy revelam atipias ou carcinoma ductal in situ (CDIS) na peça cirúrgica final. Portanto, a exérese do ducto acometido é o padrão-ouro para garantir a exclusão de malignidade oculta.
A investigação começa com a caracterização do fluxo (espontâneo, unilateral, uniductal e serossanguinolento são sinais de alerta). Exames de imagem como ultrassonografia e mamografia são realizados, seguidos por citologia do líquido (baixa sensibilidade) ou, preferencialmente, ductografia ou ressonância magnética para localizar a lesão intraductal antes da intervenção cirúrgica.
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