Panfotocoagulação na Retinopatia Diabética: Técnica e Cuidados

CBO Teórica 2 - Prova de Especialidades da Oftalmologia — Prova 2019

Enunciado

Sobre a panfotocoagulação a laser na retinopatia diabética, podemos afirmar:

Alternativas

  1. A) Deve ser realizada preferencialmente em uma única sessão.
  2. B) Deve-se evitar a realização do laser diretamente sobre as áreas de neovasos e no feixe papilomacular.
  3. C) Inexistem complicações decorrentes de laser de diodo na retina.
  4. D) Utilizam-se miras pequenas com menos de 50um e alta energia.

Pérola Clínica

PRP → Evitar laser direto em neovasos e no feixe papilomacular para prevenir hemorragia e escotomas.

Resumo-Chave

A panfotocoagulação (PRP) visa destruir a retina isquêmica periférica para reduzir a produção de fatores angiogênicos, mas deve preservar a área macular e evitar trauma direto em vasos frágeis.

Contexto Educacional

A panfotocoagulação retiniana (PRP) continua sendo o padrão-ouro para o tratamento da retinopatia diabética proliferativa (RDP), conforme estabelecido pelos estudos DRS e ETDRS. O princípio terapêutico é converter áreas de retina hipóxica (que produzem VEGF) em cicatrizes anóxicas, priorizando o suprimento de oxigênio para a mácula. A técnica envolve a aplicação de 1.200 a 1.600 disparos de laser na periferia média, geralmente divididos em duas ou mais sessões para minimizar o risco de edema macular e descolamento exsudativo da coroide. O uso de miras entre 200um e 500um é o padrão, com tempo de exposição curto. A preservação do feixe papilomacular e a cautela com neovasos são regras fundamentais de segurança para o residente de oftalmologia.

Perguntas Frequentes

Por que evitar o laser sobre neovasos?

Os neovasos na retinopatia diabética são estruturas extremamente frágeis e sem suporte de tecido conjuntivo. A aplicação direta de laser de alta energia pode causar a ruptura imediata desses vasos, levando a uma hemorragia vítrea maciça. O objetivo da panfotocoagulação é indireto: tratar a retina isquêmica para que os neovasos regridam por falta de estímulo (VEGF).

Qual a importância de preservar o feixe papilomacular?

O feixe papilomacular é a região que contém as fibras nervosas responsáveis pela visão central e de alta resolução, conectando a mácula ao nervo óptico. Lesões de laser nesta área causam escotomas centrais permanentes e perda severa da acuidade visual. A PRP deve respeitar os limites da arcada vascular e manter uma distância segura do disco óptico temporalmente.

Quais as complicações possíveis do laser de diodo ou argônio?

Embora eficaz, a PRP pode causar redução do campo visual periférico, diminuição da visão noturna (nictalopia), alteração na percepção de cores e, se aplicada de forma muito intensa ou próxima à mácula, pode induzir ou exacerbar um edema macular diabético. Complicações raras incluem descolamento de coroide e glaucoma de ângulo fechado transitório.

Responda esta e mais de 150 mil questões comentadas no MedEvo — a plataforma de residência médica com IA.

Responder questão no MedEvo