CBO Teórica 1 - Prova de Bases da Oftalmologia — Prova 2008
Ao se realizar a panfotocoagulação nas regiões das 3 e 9 h há possibilidade de:
Laser às 3h e 9h → lesão de nervos ciliares longos → dor intensa.
Os nervos ciliares longos cursam no espaço supracoroidal nos meridianos horizontais (3h e 9h). O disparo de laser nessas áreas atinge diretamente essas estruturas nervosas.
A panfotocoagulação é o tratamento padrão-ouro para retinopatia diabética proliferativa. O procedimento visa destruir áreas de retina isquêmica para reduzir a produção de fatores angiogênicos (VEGF). O conhecimento da anatomia da coroide e do espaço supracoroidal é fundamental para o cirurgião de retina. Os nervos ciliares posteriores longos, ao passarem pelos meridianos horizontais, tornam essas zonas 'gatilhos' de dor. Além da dor, a lesão desses nervos pode, teoricamente, levar a alterações na sensibilidade corneana e na midríase pupilar, embora clinicamente a dor seja a queixa predominante.
A dor exacerbada durante a panfotocoagulação (PFC) nos meridianos horizontais (posições de 3 e 9 horas) ocorre devido à localização anatômica dos nervos ciliares posteriores longos. Esses nervos viajam da parte posterior do globo ocular em direção à frente dentro do espaço supracoroidal, situando-se exatamente sob a retina nessas posições específicas. Quando o laser atinge a retina e o epitélio pigmentado nessas áreas, a energia térmica é transmitida para esses nervos sensoriais calibrosos, provocando uma resposta dolorosa aguda e intensa que pode exigir anestesia peribulbar ou subtenoniana em pacientes mais sensíveis.
Além dos nervos ciliares posteriores longos nos meridianos horizontais, a periferia retiniana abriga as veias vorticosas, localizadas nos quadrantes oblíquos (aproximadamente às 1:30, 4:30, 7:30 e 10:30 horas). Embora a lesão direta das veias vorticosas seja menos comum devido à sua localização mais profunda e posterior, disparos de laser muito intensos ou mal posicionados podem causar hemorragias coroidais. No entanto, o efeito colateral mais frequente relacionado à topografia específica durante a PFC é a dor por estimulação nervosa nos meridianos de 3h e 9h.
Para minimizar a dor, o oftalmologista pode adotar várias estratégias: reduzir a potência do laser e aumentar o tempo de exposição, utilizar lasers de padrão (pattern scan) que entregam pulsos mais curtos, ou evitar disparos diretos sobre os meridianos de 3 e 9 horas em sessões iniciais. Se a dor for impeditiva, o bloqueio anestésico regional (peribulbar ou retrobulbar) é altamente eficaz. O uso de colírios anti-inflamatórios prévios tem efeito limitado, pois a dor é de origem neuropática aguda pela estimulação térmica direta do tronco nervoso.
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